Agricultura

Greening avança na citricultura brasileira e pressiona políticas agrícolas

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As projeções para a safra de laranja 2025/26, divulgadas pelo Fundecitrus, revelam um cenário misto para o setor citrícola no Brasil. De um lado, o greening, principal doença dos cítricos, registrou um aumento de 7,4% em 2025 em comparação com 2024, impactando negativamente a produção. Essa expansão da doença, causada por uma bactéria transmitida pelo inseto psilídeo, agora afeta 47,63% das laranjeiras no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro, o que representa quase 100 milhões de árvores contaminadas em um total de 209 milhões.

Esse avanço do greening levou a uma redução de 2,5% na estimativa de produção para a próxima safra, ajustando o volume projetado de 314,6 milhões de caixas de laranja para 306,74 milhões. Segundo Juliano Ayres, diretor-executivo do Fundecitrus, o agravamento da severidade média da doença, que subiu de 19% em 2024 para 22,7% em 2025, reduziu o potencial produtivo em 35%. Fatores climáticos, como o inverno mais frio e seco, com precipitação 33% abaixo da média histórica, e a colheita tardia, também contribuíram para elevar a taxa de queda de frutos de 20% para 22%.

No contexto político-econômico, o greening representa uma ameaça existencial à citricultura brasileira, principal produtora e exportadora global de suco de laranja. A doença tem motivado produtores a migrar para áreas menos afetadas, como o Mato Grosso do Sul, o que pode influenciar políticas de desenvolvimento regional e incentivos agrícolas. Além disso, a indústria enfrenta uma queda crônica na demanda global, com consumo diminuindo 3% ao ano devido a preços elevados e preocupações com o teor de açúcar, agravando desafios para as exportações.

Apesar dos aspectos negativos, há sinais positivos: o greening desacelerou pelo segundo ano consecutivo, com crescimento de 7,4% em 2025, inferior aos 16,5% em 2024 e 55,9% em 2023. Renato Bassanezi, pesquisador do Fundecitrus, atribui isso a práticas como a escolha de áreas de menor risco para novos plantios, eliminação de árvores doentes jovens e controle eficaz do psilídeo, resultando em quedas de 51,4% na incidência em pomares de 0 a 2 anos e 17,1% em pomares de 3 a 5 anos.

Esses dados reforçam a necessidade de políticas públicas contínuas para o manejo da doença, como orienta o Fundecitrus, que enfatiza a eficácia de pacotes de controle completos. Em um viés internacional, a inclusão do suco de laranja na lista de isenções à sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos evita um custo anual de R$ 4,4 bilhões, preservando a viabilidade da produção brasileira e destacando a importância de negociações comerciais para o setor agrícola nacional.

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