Agricultura

Crédito apertado ameaça recuperação do agronegócio brasileiro

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O mercado de insumos agrícolas no Brasil começa a apresentar sinais de recuperação, mas o crédito restrito está impedindo um avanço mais robusto, conforme alertou Rogério Castro, CEO da UPL no país. Em entrevista, Castro destacou que as vendas de produtos de proteção de cultivos estão ligeiramente acima do registrado no ano anterior, porém o cenário poderia ser bem mais positivo sem essa limitação financeira.

Muitos distribuidores e cooperativas estão negando crédito aos agricultores, que acabam recorrendo a outras fontes de financiamento, o que atrasa as vendas de insumos. Esse problema foi reforçado há duas semanas por Eduardo Monteiro, gerente da Mosaic no Brasil, que apontou o aperto de crédito como causador de atrasos nas vendas e entregas de fertilizantes, justamente no início da colheita de soja.

Além das questões de distribuição, Castro enfatizou uma limitação absurda no crédito rural e dificuldades no acesso ao seguro agrícola. Ele atribui o crescimento modesto nas vendas de pesticidas à redução de estoques acumulados nos últimos anos por fabricantes e distribuidores, além de um aumento na área tratada.

No primeiro trimestre, a área tratada cresceu 1,8%, enquanto o uso de pesticidas subiu 3,4%, de acordo com o Sindiveg. Para o ano de 2025, as estimativas do mercado indicam um aumento de 4% a 5% nas vendas de produtos de proteção de cultivos no Brasil, em termos de dólares, com a UPL superando a média do setor.

Essa performance superior reflete a estratégia da empresa de apoiar parceiros estratégicos durante a crise. Castro explicou que a UPL evitou negociações hostis e manteve sua estratégia comercial intacta, diferentemente de alguns concorrentes que reduziram o papel dos distribuidores. A companhia foi uma das primeiras a apoiar a reestruturação extrajudicial da Lavoro Ltd., maior varejista de insumos agrícolas do Brasil.

Para a safra 2025/26, com o plantio já iniciado em algumas regiões, a UPL planeja lançar 10 novos produtos, incluindo herbicidas, inseticidas, fungicidas e um biológico. Castro descreveu o ano como histórico para a empresa, com um nível de inovação desproporcional em relação ao passado.

Nos números do primeiro trimestre do ano fiscal de 2026, encerrado em junho, a UPL reportou um aumento de 2% na receita líquida consolidada e de 14% no Ebitda, com margem de 14%. Embora as vendas na América Latina tenham caído 10%, Castro afirmou que o Brasil já contribui positivamente para os resultados, com expectativas de crescimento de 4% a 8% na receita líquida e de 10% a 14% no Ebitda para o ano fiscal completo.

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