Agricultura

Acordo Mercosul-UE ganha fôlego e coloca agronegócio brasileiro em alerta

74

A retomada das negociações do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia tem reacendido debates no setor agropecuário brasileiro. Esse tratado, um dos maiores em discussão no cenário global, promete ampliar o acesso de produtos agrícolas ao mercado europeu, mas também traz uma série de desafios regulatórios, ambientais e tributários. Com foco em itens como carnes, grãos, açúcar, café e suco de laranja, o acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas, o que pode impulsionar a competitividade das exportações nacionais.

No entanto, o avanço depende do cumprimento de exigências mais rigorosas impostas pela União Europeia, especialmente em áreas como rastreabilidade, sustentabilidade e normas sanitárias. Esses padrões representam um obstáculo para parte do agronegócio brasileiro, que ainda enfrenta gargalos para se adequar a regras técnicas e ambientais mais complexas. Especialistas alertam que, sem preparo adequado, os benefícios podem ser limitados.

Adriano de Almeida, especialista em direito agrário, internacional e tributário e sócio do escritório Durão & Almeida Pontes, Advogados Associados, destaca que o acordo oferece uma oportunidade estratégica para o setor. Segundo ele, os produtores brasileiros podem ganhar acesso a um mercado altamente consumidor e com maior valor agregado, mas isso exige adaptação a padrões fiscais e ambientais mais rigorosos. “O produtor brasileiro pode ganhar acesso a um mercado altamente consumidor e com maior valor agregado, mas precisará se adequar a regras muito mais rigorosas. Não se trata apenas de exportar mais, e sim de cumprir padrões técnicos, ambientais e fiscais que hoje ainda são um gargalo para parte do agro nacional”, explica Almeida.

O advogado enfatiza que a redução tarifária não resolve todos os entraves, como tributação indireta, regimes especiais e custos logísticos, que podem reduzir os ganhos sem planejamento adequado. Na visão de Almeida, o tratado representa uma chance de elevar o patamar das exportações, mas demanda um preparo jurídico sólido por parte dos produtores rurais.

Por fim, há preocupações com o risco de concentração de mercado caso não haja suporte de políticas públicas e linhas de crédito para acompanhar a transição. “Há um risco real de concentração do mercado, caso políticas públicas e linhas de crédito não acompanhem essa transição. O acordo pode ser positivo, mas precisa vir acompanhado de medidas internas de suporte ao produtor rural”, conclui Almeida. Essa perspectiva reforça a necessidade de ações coordenadas para que o acordo beneficie amplamente o agronegócio brasileiro.

Conteúdos relacionados

Mosca-varejeira-do-novo-mundo é considerada uma praga perigosa, com potencial de causar grandes prejuízos — Foto: USDA
AgriculturaBoiPecuária

Segundo caso de mosca-varejeira é confirmado no Texas

Autoridades dos Estados Unidos confirmaram o segundo caso de infestação pela mosca-varejeira-do-novo-mundo...

Foto: Divulgação
AgriculturaBrasilEconomia

Mitsubishi anuncia maior redução de preços da história no Brasil com até R$ 55 mil de desconto

A Mitsubishi Motors anunciou a maior reestruturação de preços de sua história...

Foto: Divulgação/Prefeitura de Sorriso
AgriculturaEconomiaSoja

Boa Esperança do Norte, o município mais novo do Brasil, inicia sua gestão

O município de Boa Esperança do Norte foi oficialmente instalado em 1º...

Granja de aves no Brasil com galinhas em ambiente rural, ilustrando vacinação contra influenza aviária
AgriculturaAvesPecuária

África do Sul aprova vacinação contra influenza aviária em aves

A África do Sul avança para autorizar a vacinação de aves contra...