A Mata Atlântica registrou o menor desmatamento em quatro décadas, segundo dados de 2025 divulgados por ocasião do Dia Nacional do bioma, celebrado em 27 de maio. Organizações como a SOS Mata Atlântica e o Inpe destacam o bioma como referência em restauração produtiva e bioeconomia sustentável, com avanços concentrados no sul da Bahia. A conquista resulta de governança integrada entre poder público, empresas, academia e sociedade civil.
Modelos de restauração geram renda e conservação
Produtores rurais e comunidades locais adotam Sistemas Agroflorestais, silvicultura de espécies nativas e Pagamento por Serviços Ambientais para conciliar proteção ambiental e atividade econômica. O BNDES e o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica apoiam essas iniciativas, que integram a Década da Restauração de Ecossistemas da ONU e da FAO. O Observatório da Restauração, coordenado por Cézar Borges, monitora o cumprimento de metas comuns entre os atores envolvidos.
Todos esses atores comprometeram-se com metas comuns para implementar e escalar a restauração no bioma, o que garante integridade às iniciativas.
Cézar Borges
Créditos de carbono e silvicultura atraem investimentos
Plataformas de monitoramento asseguram transparência em projetos de carbono, enquanto o Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Silvicultura de Espécies Nativas recebe R$ 24,9 milhões do BNDES nos próximos cinco anos. Essas ações fortalecem a rastreabilidade e abrem mercados nacionais e internacionais para madeira nativa. O desafio atual envolve ajustes em normas e conexão com compradores.
A governança já estabelecida na Mata Atlântica, aliada ao histórico científico e institucional, oferece condições para que os créditos tenham maior segurança, integridade ecológica e de inclusão social, desde que as iniciativas de carbono atuem de forma integrada e com uma governança de paisagem compartilhada com os atores locais. Um dos desafios é garantir monitoramento e transparência, e é justamente aí que plataformas como o Observatório da Restauração desempenham papel essencial, assegurando clareza sobre quem realiza a restauração, onde e de que forma, fortalecendo a credibilidade das iniciativas.