Produtores rurais e empresas do agronegócio têm recorrido à recuperação judicial para renegociar dívidas no primeiro semestre de 2026. O movimento concentra-se nos estados de Mato Grosso, Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul, onde 474 novos pedidos foram registrados apenas no primeiro trimestre. Juros elevados de até 15% ao ano e a oscilação nos preços de commodities como soja, milho e carne explicam a busca por proteção judicial, que suspende execuções e permite a continuidade da produção sob supervisão do Judiciário.
Alta nos pedidos reflete custo do crédito
Os dados mostram que a queda da Selic iniciada em março de 2026 ainda não produziu efeito rápido suficiente para aliviar o endividamento acumulado. Muitos produtores pessoa jurídica financiaram a safra em condições que a receita atual não sustenta, embora as operações sigam viáveis do ponto de vista produtivo. A recuperação judicial surge como ferramenta para reorganizar prazos e preservar a atividade econômica sem interromper o ciclo de produção.
Declarações do advogado especialista
Segundo o advogado Antonio Frange Junior, o objetivo dos pedidos não é a inadimplência, mas a obtenção de condições reais de negociação. Ele destaca que a lei permite atravessar ciclos desfavoráveis mantendo empregos e a estrutura produtiva.
O produtor não está em dificuldade porque produziu mal. O que pesa é ter financiado a safra a um custo que a receita não acompanhou. São operações viáveis, com estrutura de dívida incompatível com o juro atual. A recuperação judicial é o caminho para reorganizar essa dívida e seguir produzindo.
Antonio Frange Junior
Frange Junior ressalta ainda que os produtores buscam honrar compromissos por meio de uma mesa de negociação que não encontraram fora do processo judicial.
Os produtores que procuram a recuperação judicial quer honrar seus compromissos. Busca uma mesa de negociação que não conseguiu fora do processo e prazo para atravessar um ciclo desfavorável sem interromper a produção. A lei existe justamente para preservar a atividade econômica e os empregos que ela gera.
Antonio Frange Junior