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Preços do suco de laranja caem 80% na bolsa, mas consumidor não sente alívio

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Foto: Divulgação
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O mercado de suco de laranja encerra um ciclo de aperto na oferta, com os preços da matéria-prima registrando forte queda após atingirem recordes históricos, sem que essa redução seja repassada ao consumidor final, o que impede a recuperação da demanda nos mercados dos Estados Unidos e da Europa.

A safra 2025/26, com produção estimada em 292,94 milhões de caixas, permitiu a recomposição dos estoques após cinco safras consecutivas abaixo da média. Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros fecharam agosto de 2026 a US$ 1,49 por libra-peso, valor quase 80% inferior ao pico de US$ 5,10 registrado em dezembro de 2024. Essa queda acentuada gerou excedente de oferta e pressionou as cotações da fruta in natura no Brasil.

Queda de preços não chega ao consumidor

Apesar da desvalorização da matéria-prima, o varejo manteve os preços elevados, sustentando a retração do consumo observada nos últimos anos. A demanda enfraquecida resultou de uma combinação de fatores que elevaram custos de produção e limitaram o poder de compra dos consumidores. A indústria brasileira, principal exportadora mundial, enfrenta agora o desafio de equilibrar estoques maiores com margens reduzidas.

Fatores que moldaram a crise do setor

Produtores e indústrias de processamento foram impactados por clima adverso em safras anteriores, tensões geopolíticas que elevaram os custos de fertilizantes e petróleo, além de juros altos no Brasil. O resultado foi uma colisão entre oferta restrita e demanda deprimida por preços elevados no varejo.

A crise atual é uma colisão brutal entre clima, geopolítica e o bolso do consumidor.

Ibiapaba Netto

Perspectivas para produtores e indústrias

Entidades como a CitrusBR e o Fundecitrus acompanham de perto a evolução dos estoques e as negociações no mercado internacional. A recomposição da oferta em 2025/26 oferece alívio pontual, mas a recuperação sustentável depende da retomada do consumo e da estabilização dos custos de produção.

Quem é casado de verdade com essa atividade é o produtor e as indústrias de processamento. Sem o produtor, não tem oferta. Sem indústria, não tem suco.

Ibiapaba Netto

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