Uma pesquisa da Embrapa Agroenergia registrou avanços na produção de ácido p-hidroxibenzoico (PHBA) a partir de açúcares por meio de levedura modificada em biorreatores de laboratório. O estudo foi conduzido pela pesquisadora Patrícia Abdelnur em colaboração com o Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental, na Alemanha, ao longo de 18 meses de experimentos. O objetivo central é substituir matérias-primas derivadas do petróleo na fabricação de polímeros, fármacos, cosméticos e insumos agrícolas.
Os cientistas integraram técnicas de metabolômica, proteômica e fluxômica com carbono marcado para mapear as rotas metabólicas da levedura. Essa abordagem gerou um banco de dados com mais de 28 mil metabólitos e cerca de 1.700 proteínas identificadas. Os resultados permitiram otimizar o processo de conversão de açúcares em PHBA com maior precisão e eficiência.
Integração de técnicas analíticas
A combinação das três abordagens ômicas forneceu uma visão detalhada do metabolismo celular durante a fermentação. Com o carbono marcado, foi possível rastrear o fluxo de átomos e identificar gargalos na produção do composto. O trabalho em biorreatores de laboratório garantiu condições controladas para validar os dados obtidos.
Parceria e transferência de conhecimento
A colaboração com o Centro Helmholtz ampliou o acesso a equipamentos e expertise em análise de alto desempenho. A pesquisadora Patrícia Abdelnur destacou que a experiência adquirida fortalece as competências da Embrapa em biotecnologia industrial. O projeto demonstra como parcerias internacionais podem acelerar o desenvolvimento de soluções sustentáveis.
Potencial de aplicação industrial
O PHBA produzido por via biológica pode ser incorporado a cadeias produtivas que atualmente dependem de fontes fósseis. A levedura modificada oferece uma rota renovável e de menor impacto ambiental para a síntese desse intermediário químico. Estudos adicionais serão necessários para escalar o processo além do laboratório.
Essa transferência de conhecimento colabora para ampliar a capacidade de inovação da Embrapa
Patrícia Abdelnur