Abelhas exibem estados semelhantes a emoções como otimismo e pessimismo, sugere estudo na Nature

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Abelhas voando perto de colmeia na Mata Atlântica brasileira, ilustrando estudo sobre emoções como otimismo e pessimismo.

Um estudo científico publicado na revista Nature sugere que abelhas podem experimentar estados semelhantes a emoções, como otimismo e pessimismo, desafiando a noção de que sentimentos complexos são exclusivos de animais com cérebros avançados. Realizado por pesquisadores da Universidade Queen Mary, em Londres, o trabalho envolveu abelhas do gênero Bombus, conhecidas como mamangavas, e foi liderado pelo Dr. Luigi Baciadonna, com coautoria da professora Lars Chittka. A pesquisa, divulgada em outubro de 2024, abre novas perspectivas sobre a evolução das emoções e a conservação de polinizadores.

Origem e objetivos da pesquisa

A investigação ocorreu em um ambiente controlado na Universidade Queen Mary, em Londres. Os cientistas visavam analisar como as abelhas respondem a situações de ambiguidade, testando se elas exibem vieses otimistas ou pessimistas semelhantes aos observados em humanos e outros vertebrados. Essa abordagem busca questionar a visão tradicional de que emoções requerem estruturas cerebrais complexas, com implicações para o bem-estar animal e estratégias de conservação.

Metodologia adotada

Os pesquisadores treinaram as abelhas para associar cores e locais específicos a recompensas, como soluções açucaradas, ou punições, como substâncias amargas. Em seguida, expuseram os insetos a estímulos ambíguos após simular estresse, como agitação representando um ataque de predador, ou uma recompensa inesperada. Câmeras e análises estatísticas capturaram os comportamentos, revelando vieses pessimistas em abelhas estressadas e otimistas nas que receberam prêmios extras.

Resultados observados

As abelhas estressadas demonstraram maior hesitação em estímulos ambíguos, interpretados como viés pessimista, enquanto as recompensadas se aproximaram mais rapidamente, indicando otimismo. Esses padrões sugerem estados internos que influenciam a tomada de decisão, semelhantes a emoções humanas. O estudo destaca que insetos com cérebros menores podem possuir mecanismos emocionais básicos, evoluídos para lidar com incertezas ambientais.

Implicações para a ciência e conservação

A descoberta pode redefinir o entendimento da evolução das emoções, sugerindo que elas surgiram cedo na história biológica para auxiliar na sobrevivência. Para a conservação, isso implica a necessidade de práticas que minimizem o estresse em polinizadores, cruciais para a agricultura e ecossistemas. Os autores enfatizam que, se abelhas sentem emoções, manejos agrícolas e ambientais devem priorizar seu bem-estar.

Declarações dos pesquisadores

Esses resultados sugerem que as abelhas podem ter estados internos que influenciam sua tomada de decisão, semelhantes ao que chamamos de emoções em humanos.

A declaração do Dr. Luigi Baciadonna, principal autor, reforça a importância dos achados para a neurociência comparativa.

Se as abelhas sentem emoções, precisamos reconsiderar como as manejamos para minimizar o estresse.

A professora Lars Chittka, coautora, alerta para as consequências práticas na apicultura e na preservação de espécies ameaçadas.

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