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Brasil retoma exportações de aves para a União Europeia em meio a negociações sanitárias globais

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O Brasil recebeu autorização para retomar as exportações de carne de frango e de peru para a União Europeia a partir desta terça-feira (23), após uma suspensão que durou desde maio devido a um foco isolado de influenza aviária no Rio Grande do Sul. A medida, anunciada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), representa um passo significativo na recuperação do status sanitário do país, reforçando sua posição como o maior exportador mundial de carne de frango.

A suspensão das importações pela União Europeia ocorreu em maio, quando o foco da doença foi detectado, impactando um dos mercados mais relevantes para o setor avícola brasileiro. De acordo com o Mapa, a rápida contenção do surto permitiu a reabertura, confirmando a eficiência das ações sanitárias implementadas pelo governo federal.

Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebrou a decisão, destacando o trabalho conjunto com o Mapa para restabelecer as negociações. A entidade enfatizou que a União Europeia é um destino estratégico, e a reabertura pode impulsionar os embarques, atendendo a uma demanda reprimida durante o período de restrições.

A retomada ocorre de forma escalonada, abrangendo produtos com data de produção a partir de 18 de setembro para todo o território nacional, exceto o Rio Grande do Sul. Para o estado, as exportações serão liberadas a partir de 2 de outubro, com exceção da zona de 10 km ao redor da granja afetada, onde a permissão só valerá a partir de 16 de outubro.

Antes da suspensão, entre janeiro e maio, o Brasil exportou 125,3 mil toneladas de carne de frango para a União Europeia, um volume 20,8% superior ao mesmo período do ano anterior, gerando uma receita de US$ 386,3 milhões, com alta de 38%. A ABPA projeta um retorno aos patamares anteriores e até um incremento nos embarques devido à demanda acumulada.

No contexto global, de janeiro a agosto de 2025, as exportações totais de carne de frango brasileira somaram 3,28 milhões de toneladas, rendendo US$ 6,15 bilhões. Paralelamente à decisão europeia, uma auditoria técnica da China está em andamento no Brasil para avaliar os controles sanitários relacionados à influenza aviária, o que pode levar à retomada dos embarques para esse mercado, o último grande destino com restrições vigentes.

Essa reabertura reflete não apenas avanços sanitários, mas também o peso das relações comerciais internacionais na agenda econômica do governo brasileiro, especialmente em um setor que contribui significativamente para o superávit da balança comercial.

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