O relatório Painel El Niño 2026-2027 indica restrição de umidade no solo para o plantio da safra de soja 2026/27 no centro-norte de Mato Grosso e norte de Goiás. O fenômeno, classificado como muito forte, provoca chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas nessas áreas, enquanto altera o padrão de precipitação em outras regiões do país durante o trimestre de outubro a dezembro de 2026. Institutos como Inmet, Inpe, ANA, Cemaden, SGB, Sedec e Censipam participaram da elaboração do documento, que acompanha os efeitos do aquecimento superior a 2°C no Pacífico Equatorial.
Intensificação do El Niño e impactos no solo
O El Niño de intensidade muito forte, confirmado em junho, apresenta probabilidade superior a 95% de se manter nesse patamar entre outubro e dezembro de 2026, podendo se tornar o mais intenso desde 1950. Essa condição reduz o armazenamento de água no solo no Centro-Oeste e no Norte, afetando diretamente o início da safra de soja, milho, feijão, trigo e café. Agricultores dessas culturas precisam monitorar os índices de umidade para ajustar o calendário de plantio.
A recuperação gradual da umidade deve ocorrer a partir de novembro, com possível início da estação chuvosa entre o fim de outubro e meados de novembro nas áreas mais atingidas. No Sul e no Sudeste, o padrão se inverte, com chuvas acima da média que podem beneficiar algumas lavouras, mas elevam as temperaturas em quase todo o território nacional.
Regiões monitoradas pelos institutos
As análises abrangem o Distrito Federal, o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e demais estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul. O relatório destaca que o El Niño altera o regime de chuvas de forma desigual, exigindo atenção redobrada dos produtores rurais nas zonas de maior risco de déficit hídrico.
Com base nos dados dos institutos, o acompanhamento contínuo das condições climáticas permanece essencial para mitigar prejuízos na safra 2026/27. A previsão reforça a importância de estratégias de manejo adaptadas às variações regionais provocadas pelo fenômeno.