Agricultura

Empresa brasileira de agronegócio cruza o Atlântico e aposta em Portugal como ponte para a Europa

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Após nove anos de consolidação no mercado brasileiro, a plataforma digital Agronegociar, especializada em conectar compradores e vendedores do agronegócio, inicia sua primeira operação internacional em Portugal. Essa expansão marca um passo estratégico para a empresa conquistar o mercado europeu, adaptando sua infraestrutura ao contexto local e promovendo intercâmbios comerciais entre os dois países.

A adaptação incluiu a tradução da plataforma para o português europeu, a criação de um domínio específico — www.agronegociar.pt — e ajustes para cumprir exigências legais, como a conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados da União Europeia (GDPR). Além disso, foi lançado um aplicativo exclusivo (app.agronegociar.pt), com uma base de dados limpa e configurada para as particularidades do mercado português.

De acordo com Júnior Rodrigues, gerente de Produto da Agronegociar, a iniciativa vai além de uma mera replicação do modelo brasileiro. “Queremos ser uma ponte entre Brasil, Portugal e o mercado europeu, respeitando as diferenças culturais, comerciais e produtivas”, afirma Rodrigues. O projeto envolveu pesquisas aprofundadas sobre cadeias produtivas estratégicas, hábitos de uso de marketplaces e práticas comerciais no país, além de reuniões com associações rurais e produtores locais para estabelecer parcerias.

Raphaela Bordino, gerente do projeto em Portugal, destaca a escolha estratégica do país: “Portugal é a porta de entrada para o mercado europeu, especialmente para empresas brasileiras, pelo idioma e pela relação histórica entre os países. Há um intercâmbio natural: o Brasil demanda produtos portugueses e Portugal também se beneficia do que o agro brasileiro oferece”. Essa abordagem reflete os laços históricos e econômicos entre as nações, facilitando a integração em um bloco como a União Europeia.

O lançamento prioriza categorias de produtos com alta demanda e valor agregado, como mel, frutas (incluindo laranja, tangerina, morango e mirtilo) e azeite de oliva. Há também ênfase em itens gourmet e sustentáveis, como vinhos e queijos, alinhando-se às preferências do consumidor europeu e às tendências de comércio responsável.

Apesar das afinidades culturais, a expansão enfrenta desafios. Os produtores portugueses estão mais familiarizados com ferramentas digitais, mas adotam novas soluções com cautela. O país caracteriza-se por propriedades rurais menores, forte presença de cooperativas e negociações mais formais, com foco em segurança e confiabilidade.

Fundada em 2016, a Agronegociar atua como um hub digital que conecta produtores, compradores, técnicos, pesquisadores e empresas do setor agropecuário, oferecendo soluções gratuitas de comercialização, capacitação e apoio logístico. Essa movimentação internacional pode fortalecer as relações bilaterais Brasil-Portugal, impulsionando o comércio agroalimentar em um contexto de globalização econômica.

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