Os leilões de propriedades rurais retomadas por credores estão crescendo rapidamente no Brasil devido ao aumento da inadimplência no crédito rural. Em 2025, 14.219 imóveis rurais foram a leilão, um salto de 30% em relação ao ano anterior, enquanto a inadimplência atingiu 19,6% e as dívidas somaram R$ 171,2 bilhões no início de 2026. O fenômeno atinge especialmente o Rio Grande do Sul e reflete dificuldades enfrentadas por produtores rurais em meio a juros elevados e custos crescentes.
A inadimplência mais que quadruplicou em apenas dois anos, segundo dados do Banco Central e da Serasa Experian. Credores intensificaram as execuções extrajudiciais, o que elevou o volume de leilões. Ao mesmo tempo, os pedidos de recuperação judicial no setor cresceram 56% no mesmo período, sinalizando pressão financeira sobre os produtores.
Aumento dos leilões e recuperação judicial
O cofundador do Leilão Imóvel, André Figueiredo, observa que o volume de imóveis rurais aumentou bastante. Essa expansão reflete a busca dos credores por soluções rápidas diante do cenário de endividamento. O Rio Grande do Sul concentra parte significativa dos leilões, agravada pelas enchentes de 2024 que prejudicaram lavouras e infraestrutura.
Fatores que impulsionam a inadimplência rural
Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, afirma que este momento de endividamento no campo é um momento extremamente delicado. Entre os principais fatores estão a queda nos preços dos grãos, o aumento dos custos de insumos e os juros elevados. O clima imprevisível, com possibilidade de super El Niño, e a alta nos preços de fertilizantes causada pela guerra no Irã também contribuem para o aperto financeiro.
Este momento de endividamento no campo é um momento extremamente delicado
Guilherme Campos
Especialistas do setor alertam que a combinação desses elementos exige atenção redobrada de produtores e instituições financeiras. O monitoramento contínuo da inadimplência no crédito rural permanece essencial para avaliar a evolução dos leilões de propriedades rurais nos próximos meses.