A safra 2023/24 de soja em Mato Grosso enfrentou perdas significativas na produtividade, endividamento crescente entre os produtores e uma colheita prolongada e complicada, agravada por condições climáticas adversas, segundo relatos de agricultores e especialistas.
Impactos climáticos na produção
As chuvas irregulares durante o plantio, seguidas por veranicos prolongados e excesso de umidade na fase de colheita, resultaram em quebras de produtividade acima de 40% em algumas áreas de Mato Grosso, especialmente em Tangará da Serra. Produtores rurais relataram dificuldades com máquinas atoladas no solo encharcado e grãos colhidos com umidade elevada, o que aumenta o risco de pragas e compromete a qualidade do produto.
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), esses fatores climáticos prolongaram a colheita de janeiro a abril de 2024, tornando o processo mais custoso e ineficiente.
Desafios econômicos para os produtores
O endividamento dos produtores rurais cresceu devido aos custos de produção elevados em até 30%, combinados com a queda nos preços da soja no mercado internacional. Muitos agricultores, como João Silva (nome fictício), enfrentam dificuldades para pagar financiamentos, com a receita da safra cobrindo apenas uma fração das dívidas.
Plantamos esperando uma média de 60 sacas por hectare, mas estamos colhendo entre 30 e 40 sacas. É desolador
Tenho financiamentos para pagar, mas a receita da safra não cobre nem metade. Vamos precisar renegociar dívidas ou vender ativos
Perspectivas e lições aprendidas
A agrônoma Maria Oliveira destacou os riscos na colheita sob condições de umidade excessiva, que afetam a qualidade dos grãos e podem gerar descontos na comercialização. Ela enfatiza a necessidade de investimentos em seguros agrícolas e diversificação de culturas para mitigar impactos futuros.
Estamos colhendo no limite, com umidade acima do ideal. Isso afeta a qualidade e pode gerar descontos na comercialização
É uma lição dura. Precisamos investir mais em seguros agrícolas e diversificação de culturas
O coordenador do Projeto Soja Brasil, Paulo Oliveira, resume a situação como um exemplo de resiliência no campo brasileiro, apesar das adversidades climáticas e econômicas enfrentadas na safra 2023/24.
Essa é a realidade do campo brasileiro: resiliência em meio à adversidade