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Valorização de terras agrícolas supera renda de médicos no Brasil

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Foto: Divulgação
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O debate sobre se a medicina ainda permite comprar fazendas no Brasil ganhou força após postagens nas redes sociais que confrontam a valorização das terras rurais com a evolução da renda médica. Dados mostram que o preço médio das terras agrícolas mais que dobrou entre 2019 e 2024, com alta de 113%, enquanto a renda real dos médicos perdeu poder de compra diante do aumento da concorrência na profissão. O tema mobilizou pecuaristas, médicos, empresários e dentistas em análises sobre patrimônio e formação profissional.

Valorização das terras supera renda dos médicos

A publicação do pecuarista Daniel Rabelo questionou a capacidade atual da medicina de gerar capital para aquisição de propriedades rurais. Ele destacou que, há 20 ou 30 anos, era comum médicos comprarem fazendas, mas esse cenário mudou com a dinâmica do mercado. A valorização fundiária acelerada ampliou a distância entre o custo das terras e o poder aquisitivo dos profissionais de saúde em âmbito nacional.

Já vi muita fazenda pagar a faculdade de medicina, mas eu nunca vi medicina comprar fazenda. Há 20, 30 anos atrás, companheiro, realmente um médico conseguia capitalizar com a medicina e comprar uma fazenda. Só que isso não acontece mais, não existe isso.

Daniel Rabelo

O médico Felipe Goveia concordou com a análise e ressaltou que o quadro é mais difícil para generalistas, com menos plantões disponíveis e grupos cada vez mais disputados. Ele recomendou que quem possui patrimônio preserve e busque conciliar atividades, pois a medicina isoladamente não garante mais riqueza.

Agro e outras profissões na construção de patrimônio

A empresária Valeska Andrade apontou que o setor agropecuário demonstra capacidade de formar capital sem diploma universitário, graças à gestão de riscos e trabalho contínuo. Ela questionou quantos médicos conseguiram adquirir fazendas de grande porte, comparando com produtores rurais que expandiram patrimônio enfrentando seca, câmbio e financiamentos. O dentista João Lúcio Costa Sobrinho relatou ter construído seu patrimônio por meio da odontologia ao longo de 22 anos de dedicação intensa, mas expressou preocupação com as dificuldades enfrentadas por profissionais mais jovens.

Consegui, através da Odontologia, construir meu patrimônio e realizar o sonho de adquirir fazendas. Mas há um detalhe: me formei há 22 anos, voltei para minha cidade natal e trabalhei incansavelmente por muitos anos. Com dedicação, perseverança e reinvestindo tudo o que podia, consegui capitalizar.

João Lúcio Costa Sobrinho

O tema reforça que a construção de patrimônio depende de fatores além do diploma, como visão de longo prazo e gestão eficiente, em um cenário econômico cada vez mais desafiador para novas gerações de profissionais da saúde.

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