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Minerva acelera desinvestimentos para cortar dívidas e impulsionar caixa

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A Minerva, uma das principais empresas do setor de carne bovina no Brasil, está avaliando a venda de ativos imobiliários não operacionais como estratégia para reduzir suas dívidas. De acordo com Edison Ticle, CFO da companhia, esses imóveis, acumulados ao longo de duas décadas por meio de 20 aquisições, podem gerar entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões em desinvestimentos no curto e médio prazo. A empresa contratou uma consultoria externa para inventariar esses bens, que serão categorizados conforme a velocidade de monetização: os mais rápidos, os mais lentos e aqueles que demandam desenvolvimento adicional.

Além dos imóveis, a Minerva considera a alienação de sua planta de biodiesel, que processa sebo bovino e grãos como soja. Ticle explicou que a decisão dependerá se a venda for vantajosa e agregadora de valor para a companhia. Embora o ativo não seja central para os negócios principais, ele oferece retornos atrativos sobre o capital investido, o que torna a escolha menos direta.

No âmbito operacional, a empresa projeta um fechamento de ano com receita de R$ 58 bilhões, um aumento de 80% em relação ao anterior, e Ebitda entre R$ 4,7 bilhões e R$ 5,2 bilhões. Para 2025, espera-se uma geração de caixa livre entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão, revertendo o consumo de R$ 600 milhões do período anterior. Essa melhora está atrelada à liquidação de estoques de carne bovina nos Estados Unidos, estratégia adotada antes de aumentos tarifários, que demandou R$ 1,5 bilhão a R$ 2 bilhões em capital de giro.

A integração das plantas adquiridas da Marfrig apresentou desafios iniciais, como perda de lideranças e condições piores do que o esperado, o que atrasou o ramp-up no primeiro trimestre. No entanto, Luís Luz, COO da Minerva, destacou avanços subsequentes. Ticle apontou que, com base no desempenho de setembro, as novas unidades poderiam gerar Ebitda anualizado entre R$ 350 milhões e R$ 400 milhões, superando as expectativas iniciais da aquisição.

Em perspectiva de médio prazo, a companhia foca em crescimento orgânico de 10% em volume para 2026, priorizando eficiência operacional nas plantas integradas. A alavancagem deve cair abaixo de 2,8 vezes até o fim do ano, com potencial para múltiplos de aquisição revisados para menos de 4,5 vezes, respondendo a críticas sobre o preço pago à Marfrig.

Nos últimos 12 meses, as ações da Minerva subiram quase 30% na B3, impulsionadas pelo cenário favorável para a indústria de carne bovina e por um aumento de capital que ajudou na redução de dívidas. Apesar disso, em dois anos, os papéis acumulam queda de 40%, com a empresa avaliada em R$ 6,4 bilhões.

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