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Chuvas no campo: o risco invisível que pode custar caro aos pecuaristas brasileiros

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Com a chegada da temporada de chuvas, o manejo da suplementação em fazendas de pecuária torna-se um desafio crítico para manter a rentabilidade. Ignorar os cochos de suplementação nesse período equivale a desperdiçar investimentos e comprometer o desempenho do rebanho. O capim verdejante oferece uma oportunidade de ganho de peso, mas as precipitações podem transformar suplementos em perdas financeiras diretas, como produtos empedrados, mofados ou lavados pela água.

O contato da chuva com suplementos minerais, proteinados ou energéticos inicia uma série de problemas. A lixiviação leva embora componentes valiosos, como vitaminas e minerais, reduzindo a eficácia nutricional. Além disso, a umidade causa empedramento, diminuindo o consumo pelos animais, e pode promover fermentação e mofo, gerando riscos sanitários como micotoxinas. Especialistas estimam que, sem manejo adequado, as perdas podem exceder 20% do suplemento, impactando diretamente a eficiência da operação.

Para combater essas perdas, a infraestrutura é essencial. Cochos cobertos representam um investimento com retorno rápido, pois evitam a exposição direta à chuva. Estudos da Embrapa destacam a importância de estruturas como beirais largos para proteger contra chuvas laterais e furos de drenagem para escoar água acumulada. A localização em terrenos elevados e bem drenados também minimiza riscos de alagamento.

O manejo de rotina é outro pilar fundamental, especialmente em fazendas sem cobertura total. Recomenda-se abastecimento fracionado: diário para proteico-energéticos e pelo menos duas a três vezes por semana para minerais, conforme orienta Rosendo Lopes, gerente técnico da DSM, em entrevista ao Noticiário Tortuga. Isso inclui inspeções regulares, remoção de produto úmido, limpeza do cocho e reposição apenas da quantidade necessária para curto prazo, evitando desperdícios.

A tecnologia de produtos também auxilia, com suplementos resistentes à umidade que incluem anti-umectantes e palatabilizantes. Essas formulações não eliminam a necessidade de manejo, mas prolongam a vida útil do produto em condições úmidas. Como aponta Mário Garcia, diretor executivo da Exagro, negligenciar esses aspectos quebra a curva de desempenho animal, equivalendo a deixar colheitas apodrecerem no campo.

Em resumo, a estação das águas é crucial para maximizar ganhos na pecuária a pasto, mas exige ajustes em infraestrutura, rotina e tecnologia para transformar investimentos em resultados concretos, como maior ganho de peso e rentabilidade.

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