Agricultura

Preços de fertilizantes devem permanecer elevados no Brasil devido a tensões globais

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Uma das maiores empresas de fertilizantes do mundo, a Mosaic, não prevê alívio nos preços de fósforo e potássio no curto prazo. Eduardo Monteiro, country manager da companhia no Brasil, destacou em entrevista que há indícios de que esses valores podem se manter no patamar atual ou até aumentar. Ele enfatizou que não há expectativa de queda significativa, com base em dinâmicas de oferta e demanda globais.

No caso dos fertilizantes fosfatados, a pressão vem principalmente da oferta de enxofre, uma matéria-prima essencial para a produção de fósforo. Monteiro explicou que o preço do enxofre no mercado internacional saltou de US$ 150 para US$ 500 por tonelada. Essa alta reflete uma forte demanda da Ásia para a indústria de mineração, além de interrupções temporárias na produção russa, causadas pelo conflito com a Ucrânia, que tem afetado refinarias no país.

Essas interrupções na Rússia impactam diretamente os custos de produtos como o Super Simples ou MAP, que são fertilizantes fosfatados de baixa e alta concentração. De acordo com Monteiro, não há motivos para esperar uma redução nos preços desses insumos, dado o papel central do enxofre em sua composição e as restrições atuais na cadeia de suprimentos.

Para o potássio, os sinais de firmeza nos preços vêm da China, um grande importador e referência global no mercado. Historicamente, os valores negociados pela China são cerca de US$ 10 por tonelada inferiores aos do Brasil. No entanto, em um contrato fechado há duas semanas, o preço foi o mesmo praticado no mercado brasileiro, o que sugere pouca margem para quedas. Monteiro argumentou que, com poucos países produtores e grandes mercados consumidores, essa dinâmica global reforça a estabilidade dos preços do cloreto de potássio.

No Brasil, o ritmo lento das compras de fertilizantes contribui para manter os preços firmes. A comercialização para o milho safrinha e a soja da safra 2024/25 está abaixo do esperado, com apenas 10% do volume projetado para a safra de verão vendido até agora, concentrado principalmente no Mato Grosso. Embora a relação de troca esteja menos favorável que no ano passado, com duas sacas a mais, Monteiro considera o momento propício para aquisições.

Para o milho safrinha, cujas entregas começam neste mês, há um atraso de dez pontos percentuais nas compras em comparação ao ano anterior, com 60% comercializados contra 70% anteriormente. Essa lentidão pode gerar estresse logístico e altas pontuais de preços devido a picos de demanda.

Monteiro alertou que, sem aceleração nas compras, o cenário pode intensificar problemas recorrentes, como gargalos na distribuição e aumentos de custos no final do processo. Ele recomendou que os agricultores avancem nas aquisições para mitigar esses riscos, especialmente considerando a conjuntura global e logística.

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