No Brasil, apenas duas espécies de peixe são oficialmente reconhecidas como bacalhau: o Gadus morhua e o Gadus macrocephalus. Essa distinção é crucial para os consumidores, que frequentemente se deparam com produtos rotulados como “tipo bacalhau”, mas que na verdade provêm de outras espécies processadas de forma similar. Segundo especialistas da Embrapa Pesca e Aquicultura, ler atentamente os rótulos e observar características como sabor, cheiro e textura pode evitar confusões e garantir uma compra mais informada.
As espécies oficiais de bacalhau no Brasil
O Gadus morhua, conhecido como bacalhau do Atlântico, e o Gadus macrocephalus, ou bacalhau do Pacífico, são as únicas espécies que podem ser comercializadas como bacalhau verdadeiro no país. Essas denominações seguem regulamentações específicas para proteger os consumidores de enganos. Outros peixes, mesmo quando salgados e secos, não recebem essa classificação oficial.
A Embrapa Pesca e Aquicultura, por meio de sua chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento, Lícia Lundstedt, destaca a importância dessa diferenciação. A autora Lara Castelo também contribui para esclarecer o tema, enfatizando o impacto no dia a dia dos brasileiros.
Como diferenciar o bacalhau verdadeiro dos ‘tipo bacalhau’
A principal forma de identificar o bacalhau autêntico é verificar o rótulo, que deve indicar o nome científico: Gadus morhua ou Gadus macrocephalus. Além disso, é recomendável buscar informações sobre a espécie e avaliar características organolépticas, como o sabor mais delicado, o cheiro característico e a textura firme. Essas verificações ajudam a distinguir produtos de qualidade superior.
“Por passarem por um processo de salga e secagem parecido ao do bacalhau, eles acabam desenvolvendo características parecidas, como formato, textura, cor e cheiro”
Lícia Lundstedt explica que peixes de outras espécies, ao serem processados de maneira similar, adquirem traços que imitam o bacalhau, o que pode confundir os compradores.
Diferenças em sabor, qualidade e preço
O bacalhau verdadeiro difere dos “tipo bacalhau” em aspectos como sabor mais refinado, maior valor nutricional e preço geralmente mais elevado. Espécies alternativas, incluindo nacionais como o pirarucu (Arapaima gigas), são vendidas sob nomes como “bacalhau brasileiro” após salga e secagem. No entanto, essas opções não equivalem em qualidade ao produto original.
“Até mesmo espécies nacionais, como o pirarucu (Arapaima gigas), quando submetidas a esse tratamento, podem ser vendidas como ‘bacalhau brasileiro'”
Essa prática reflete a criatividade do mercado, mas reforça a necessidade de atenção por parte dos consumidores para evitar decepções.
Dicas para consumidores brasileiros
Para fazer escolhas assertivas, os consumidores devem priorizar rótulos transparentes e marcas confiáveis. Observar a origem e o processo de produção também contribui para uma compra mais segura. Com o aumento da conscientização, espera-se que o mercado se torne mais claro e acessível.
- Leia o nome científico no rótulo.
- Avalie sabor, cheiro e textura.
- Compare preços e valores nutricionais.
- Consulte fontes confiáveis como a Embrapa.
Essas orientações, baseadas em análises especializadas, empoderam os brasileiros a navegar melhor pelo universo dos peixes salgados e secos.