O setor de defensivos agrícolas no Brasil deve permanecer estável ou registrar leve retração em 2026, segundo projeções divulgadas pela CropLife Brasil. A estimativa aponta para a ausência de crescimento em relação a 2025, influenciada pelo endividamento dos produtores rurais e pelas condições econômicas atuais. Representantes de empresas como Bayer, Corteva, FMC, Syngenta e Basf participaram das discussões durante evento da associação.
Fatores que limitam o crescimento
O presidente da CropLife Brasil, Eduardo Peres, destacou que o agricultor brasileiro enfrenta juros elevados e preços de commodities que não recompõem as margens de lucro. Commodities como soja, milho e algodão permanecem em patamares baixos, o que reduz a capacidade de investimento em tecnologia. Após um período de expansão, o setor agora lida com custos de produção elevados e crédito mais caro.
O agricultor está endividado, o juro está alto e o preço da soja, do milho e do algodão não recompõe a margem. Isso faz com que ele segure o investimento em tecnologia
Eduardo Peres
Histórico e projeções recentes
Até 2023, o mercado registrou crescimento acima de dois dígitos anuais, impulsionado pela demanda por insumos. Em 2024 ocorreu uma desaceleração clara, e 2025 deve fechar com números próximos de zero ou ligeiramente negativos. Para 2026, a expectativa é de estabilidade ou leve variação negativa, sem sinais de retomada imediata.
Tivemos um ciclo muito positivo até 2023, com crescimento acima de dois dígitos. Em 2024 já houve uma desaceleração, e 2025 deve fechar com números próximos de zero ou ligeiramente negativos
Eduardo Peres
A combinação desses elementos compromete a rentabilidade dos produtores e leva à contenção de gastos com defensivos. A CropLife Brasil monitora o cenário e reforça que não há previsão de expansão no próximo ano.