O mercado físico do boi gordo registra pressão negativa em diversas regiões do Brasil em meados de maio de 2026, com queda nas cotações da arroba do animal terminado. O aumento da oferta de bovinos prontos para abate, combinado à desaceleração do consumo interno, tem pressionado os preços nas principais praças pecuárias. Consultorias como Agrifatto, Scot Consultoria e Safras & Mercado apontam para escalas de abate entre sete e nove dias úteis, sinalizando maior disponibilidade de animais.
Causas da pressão negativa no mercado
O pico da safra do boi gordo explica parte da alta oferta, com mais animais terminados a pasto disponíveis para comercialização. A perda de qualidade das pastagens em algumas áreas também impulsiona o abate antecipado, enquanto a ressaca após o feriado e o Dia das Mães contribui para a redução do consumo doméstico. Os pecuaristas enfrentam ainda incertezas nas exportações para a China e a União Europeia, fatores que limitam a recuperação dos preços.
Frigoríficos ajustam suas compras diante do cenário de maior oferta e migração de consumidores para proteínas mais acessíveis. O analista Fernando Henrique Iglesias destaca que essa combinação de elementos mantém o mercado sob pressão negativa, com possibilidade de continuidade da queda na segunda quinzena de maio.
Comportamento nas principais praças
Em São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, as cotações da arroba refletem o desequilíbrio entre oferta e demanda. Os frigoríficos operam com escalas confortáveis, o que reduz a urgência nas aquisições e favorece a negociação por valores mais baixos. Os pecuaristas, por sua vez, buscam alternativas para escoar a produção sem comprometer margens já apertadas.
A situação atual exige atenção redobrada dos agentes do setor, que acompanham de perto os indicadores de consumo e os desdobramentos das exportações. O mercado físico do boi gordo deve permanecer volátil enquanto persistirem as condições de alta oferta e demanda interna moderada.