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Endividamento rural no Paraná supera R$ 20 bilhões em 2026

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Lavouras de soja e milho no Paraná representando endividamento rural
Lavouras de soja e milho no Paraná representando endividamento rural

O endividamento rural problemático no Paraná alcançou R$ 10,8 bilhões em janeiro de 2026, valor que corresponde a 11% do total de empréstimos rurais no estado. O levantamento do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP indica que as dívidas em atraso, inadimplentes e renegociadas podem ter dobrado desde então, superando os R$ 20 bilhões. O cenário repete-se em escala nacional, onde 17,4% dos R$ 881 bilhões em financiamentos rurais apresentam algum tipo de problema.

Causas do aumento no endividamento rural

Produtores enfrentam sucessivas quebras de safra provocadas por intempéries climáticas, juros elevados e custos de produção crescentes. A queda nos preços das commodities agrava a situação, enquanto a falta de recursos para o seguro rural deixa os agricultores sem proteção adequada. O avicultor Luiz Flamengo, de Paranacity, relata que os custos operacionais na avicultura crescem de forma vertiginosa, com aumentos na tarifa de energia elétrica e nos insumos de manutenção e manejo.

Os índices de janeiro são preocupantes por si só, mas estimamos que o número atual de endividamento já possa estar alcançando o dobro desse valor, ultrapassando os R$ 20 bilhões.

Ágide Eduardo Meneguette

Ele destaca ainda que o endividamento impede o cumprimento dos compromissos com fornecedores e agentes financeiros.

Consequências para a produção de alimentos

Com margem reduzida e dívidas em atraso, o produtor rural perde acesso ao crédito e fica sem condições de investir na próxima safra. Essa limitação reduz a oferta de produtos no mercado e pressiona os preços para cima, comprometendo a segurança alimentar da população. O quadro preocupa especialmente porque afeta toda a cadeia produtiva do estado.

Pedido de renegociação de dívidas

O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, defende a criação urgente de um programa federal de renegociação que inclua novas linhas de crédito. A medida permitiria aos agricultores retomar os investimentos e estabilizar a produção. Sem essa intervenção, o risco de agravamento da crise permanece elevado.

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