Produtores de soja no Brasil enfrentam desafios para avançar na comercialização da safra 2026/27 devido a temores sobre os efeitos do El Niño, mesmo com preços mais atrativos em algumas regiões. A cautela prevalece em meio a incertezas climáticas e custos elevados de insumos, conforme apontado por especialistas do setor.
Incertezas climáticas afetam ritmo de vendas
Entrevista concedida em 28 de maio de 2026 pelo diretor da Pátria Agronegócios, Cristiano Palavro, destaca que as dúvidas persistem entre produtores e meteorologistas sobre os impactos do fenômeno. Os modelos indicam aquecimento agressivo das águas do Pacífico, o que reforça a necessidade de monitoramento constante nas principais áreas de cultivo.
Nós ainda temos dúvidas e os meteorologistas, em geral, também sobre quais os efeitos que esse El Niño pode trazer e também sobre a formação de um Super El Niño ou não, mas fato é que os modelos são muito consistentes em apontar que a águas do Pacífico estão se aquecendo de forma muito agressiva
Cristiano Palavro
Aquisição de insumos registra redução gradual
Até o momento, cerca de 55% dos fertilizantes, entre 48% e 50% das sementes e 40% a 45% dos defensivos já foram adquiridos. A expectativa é de redução nos investimentos, influenciada por crédito mais limitado e caro, além de preços elevados, especialmente dos insumos fosfatados.
Esses fatores combinados geram um ambiente de prudência entre os agricultores brasileiros, que evitam compromissos maiores até que as condições climáticas se tornem mais claras.
Perspectivas para definição da nova safra
De acordo com o diretor, ainda há muitos elementos a serem definidos para a safra nova, o que contribui para a desaceleração nas novas vendas. Produtores mantêm postura observadora enquanto avaliam os desdobramentos do El Niño em formação.