Bancos brasileiros estão adotando postura mais cautelosa na concessão de crédito ao agronegócio, exigindo garantias mais robustas após dificuldades para recuperar recursos em meio ao avanço das recuperações judiciais no setor. A mudança ocorre a partir de meados de 2025 e se intensifica no primeiro trimestre de 2026, conforme apontam dados da Serasa Experian e da FGV Agro.
Aumento das recuperações judiciais no agronegócio
O número de pedidos de recuperação judicial no setor rural chegou a quase 2 mil em 2025. Esse crescimento elevou a inadimplência e comprimiu as margens dos produtores após um período de expansão. Instituições financeiras enfrentam desafios para reaver valores emprestados durante os processos judiciais.
Mudanças nas políticas de crédito dos bancos
Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco priorizam agora modalidades de garantia executáveis mesmo durante recuperações judiciais. As regras para novas operações de crédito rural foram endurecidas, com exigência de colaterais mais sólidos. Produtores rurais precisam apresentar documentação adicional para obter financiamento.
Efeitos no setor produtivo rural
A restrição ao crédito afeta principalmente médios e grandes produtores que dependem de recursos para safra e investimentos. O cenário exige maior planejamento financeiro por parte dos tomadores de empréstimos. Especialistas da FGV Agro indicam que a compressão de margens deve persistir enquanto os índices de inadimplência não recuarem.