A inadimplência da população rural brasileira atingiu 8,2% no quarto trimestre de 2025, marcando alta de 1,0 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2024. O indicador, calculado pela Serasa Experian com base em 11,3 milhões de pessoas físicas mapeadas, considera dívidas vencidas há mais de 180 dias contraídas junto a setores do agronegócio. Produtores rurais enfrentam margens apertadas e fluxo de caixa pressionado em todo o país.
Os dados revelam diferenças marcantes entre as regiões. O Norte registrou a maior taxa, com 12,5%, seguido pelo Centro-Oeste, em 9,6%, e pelo Nordeste, em 9,4%. Já o Sul apresentou o menor índice, de 5,7%, enquanto o Sudeste ficou em 7,0%. Entre os estados, o Rio Grande do Sul destacou-se com 5,3%, e o Amapá alcançou 19,9%.
Desafios enfrentados pelos produtores rurais
Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, atribui o cenário a custos elevados, preços voláteis e crédito mais seletivo. O perfil do crédito rural, com tickets mais altos e prazos mais longos, concentra dívidas expressivas em poucos inadimplentes, ampliando o risco sistêmico mesmo com taxa relativamente controlada.
Apesar de sinais de estabilização em alguns segmentos, a inadimplência no agronegócio segue em alta gradual, com produtores ainda enfrentando margens apertadas e fluxo de caixa pressionado, diante de custos elevados, preços voláteis e crédito mais seletivo
Marcelo Pimenta
Uso de inteligência artificial para mitigar riscos
Especialistas destacam a importância de modelos preditivos baseados em machine learning, como o Agro Score, para qualificar análises de risco. Essas ferramentas incorporam dados específicos do setor e permitem avaliações mais precisas, apoiando decisões equilibradas em toda a cadeia produtiva.