O mercado de reposição de bezerros permanece aquecido em 2026, com valorização expressiva dos preços, enquanto o boi gordo registra volatilidade e queda, deteriorando a relação de troca e comprimindo margens dos pecuaristas que compram animais para recria e engorda. Dados de maio e do início de junho revelam que a menor oferta de animais jovens, impulsionada pela retenção de fêmeas e pela recuperação do ciclo pecuário, sustenta os valores elevados da reposição em estados como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e São Paulo.
Preços recordes na reposição
O bezerro de 200 kg encerrou maio a R$ 3.255,20 por cabeça, equivalente a R$ 500,80 por arroba, marcando o maior valor histórico registrado. Consultorias como Agrifatto, Cepea/Esalq e Farmnews destacam que essa alta reflete a oferta restrita de animais jovens, mantendo a demanda firme entre pecuaristas recriadores e invernistas. Em contrapartida, o boi gordo recuou 2,31% e fechou a R$ 340,78 por arroba no dia 2 de junho, sem acompanhar o ritmo da reposição.
Relação de troca e margens pressionadas
A relação de troca piorou para 1,98 cabeça de boi gordo por cabeça de bezerro, com queda de 2,49% no mês e 14,66% no ano. Essa deterioração afeta diretamente as margens dos pecuaristas que adquirem animais para engorda, especialmente nas principais regiões produtoras do Centro-Oeste e Sudeste. A volatilidade do boi gordo contrasta com a estabilidade da reposição, criando um cenário de compressão de lucros para quem depende da compra de bezerros.
Ciclo pecuário em recuperação
A retenção de fêmeas segue como principal fator por trás da menor oferta de reposição, sinalizando a fase de recuperação do ciclo pecuário brasileiro. Especialistas das consultorias citadas observam que o movimento beneficia os preços dos animais jovens, mas exige atenção dos produtores diante da oscilação do boi gordo. O cenário atual reforça a importância de planejamento estratégico para pecuaristas que atuam na recria e terminação em 2026.