Cinco bovinos abandonados em 1871 na Ilha de Amsterdã, território francês no sul do Oceano Índico, sobreviveram sem qualquer manejo humano e formaram um rebanho que chegou a quase dois mil animais. A mistura genética inicial entre raças taurinas europeias e zebuínas permitiu adaptações que evitaram a extinção por endogamia, conforme revelou um estudo publicado em 2024. O rebanho, entretanto, foi erradicado entre 2008 e 2010 devido ao impacto ambiental sobre a vegetação nativa e espécies como o albatroz-de-Amsterdã.
Adaptações genéticas garantiram a sobrevivência
Os animais fundadores, deixados pelo fazendeiro Heurtin, carregavam 75% de genética taurina e 25% zebuína. Essa diversidade inicial favoreceu a adaptação ao clima frio, ventoso e com pouca água da ilha. Análises de DNA realizadas a partir de amostras coletadas entre os anos 1990 e 2000 mostraram que a endogamia atingiu cerca de 30%, sem causar degradação genética significativa. O crescimento populacional rápido e a feralização dos bovinos contribuíram para a manutenção da saúde do rebanho ao longo de décadas.
Erradicação motivada por ameaças ambientais
Apesar da resiliência genética, o rebanho passou a representar risco para o ecossistema local. Os bovinos consumiam vegetação nativa e perturbavam habitats de aves marinhas, incluindo o albatroz-de-Amsterdã. Pesquisadores liderados pelo geneticista Mathieu Gautier concluíram que a remoção total dos animais entre 2008 e 2010 foi necessária para proteger a biodiversidade da ilha. O caso ilustra como populações isoladas podem prosperar por meio de diversidade genética, mas também destaca os desafios de manejo em ambientes sensíveis.