O Grupo Ruiz Coffees obteve medida cautelar que suspende por 60 dias a execução de dívidas enquanto negocia com credores a reestruturação de seu passivo financeiro. A decisão foi proferida em 29 de junho de 2026 pela Vara Regional Empresarial de São José do Rio Preto, em São Paulo, pelo juiz Paulo Roberto Zaidan Maluf. O grupo, que possui fazendas em Minas Gerais e na Bahia, busca preservar suas operações produtivas em meio a dificuldades de liquidez.
Medida cautelar e plano de reestruturação
A liminar impede ações de cobrança por 60 dias e permite que propriedades rurais dadas em garantia sejam transferidas para um fundo controlado pelos credores. As fazendas serão arrendadas de volta ao grupo, com possibilidade de venda parcial de ativos para equilibrar o caixa. Essa estrutura visa garantir a continuidade da atividade empresarial sem interrupções abruptas na produção de café.
O diretor financeiro Ricardo Prado destacou que as conversas com credores detentores de garantias, inclusive em operações com alienação fiduciária, buscam alternativas sustentáveis para o endividamento. A estratégia combina preservação operacional com ajustes no perfil da dívida.
Pressões financeiras e contexto do setor
A reestruturação se tornou necessária diante da expansão acelerada dos últimos anos, combinada com juros elevados e concentração de vencimentos de curto prazo. A redução na oferta de crédito e as particularidades do ciclo produtivo da cafeicultura agravaram a situação de liquidez do grupo. Especialistas do setor observam que essas condições afetam diversas empresas do agronegócio em 2026.
Perspectivas para a continuidade operacional
Com a suspensão temporária das execuções, o Grupo Ruiz Coffees ganha tempo para concluir as negociações e implementar o plano acordado com os credores. A transferência de garantias e o arrendamento das fazendas devem permitir a manutenção das atividades nas regiões de Minas Gerais e Bahia. O foco permanece na construção de uma solução que equilibre os interesses de todas as partes envolvidas.