Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio somaram 474 no primeiro trimestre de 2026, o que representa alta de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025. Os dados divulgados pela Serasa Experian mostram que o indicador também superou o volume registrado no quarto trimestre de 2025, quando foram computados 408 pedidos, embora tenha ficado abaixo do pico observado no terceiro trimestre do ano anterior. O aumento reflete as dificuldades enfrentadas por produtores rurais e empresas da cadeia produtiva em todo o Brasil.
Entre as regiões mais impactadas, Mato Grosso liderou com 135 pedidos, seguido por Goiás, com 73, Paraná, com 50, e Mato Grosso do Sul, com 38. Esses quatro estados concentraram a maior parte dos requerimentos, evidenciando a pressão sobre áreas de forte produção agrícola e pecuária. O cenário indica que o fluxo de caixa no campo continua comprometido em importantes polos do setor.
Avanço entre produtores jurídicos
O maior crescimento anual ocorreu entre produtores rurais pessoa jurídica, que registraram 196 pedidos, alta de 73,5% na comparação com o primeiro trimestre de 2025. Esse segmento superou o desempenho de produtores pessoa física e de outras empresas da cadeia, demonstrando maior vulnerabilidade financeira entre as pessoas jurídicas do agronegócio. Os números reforçam a necessidade de atenção especial a esse grupo de empreendedores.
Fatores que afetam o fluxo de caixa
Especialistas apontam o ambiente de crédito mais seletivo, a manutenção dos altos custos de produção e o maior nível de alavancagem dos produtores como principais causas do aumento. Essas condições reduziram a capacidade de pagamento e elevaram o risco de inadimplência no campo durante os primeiros meses do ano.
O ambiente de crédito mais seletivo, combinado à manutenção dos altos custos de produção e ao maior nível de alavancagem dos produtores, continuou afetando o fluxo de caixa no campo
Marcelo Pimenta
Por isso, reforçamos que renegociar dívidas e manter um planejamento financeiro devem ser prioridades, enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso. A orientação visa preservar a sustentabilidade das operações rurais e evitar medidas extremas que possam comprometer a continuidade das atividades no setor.