O pesquisador do Insper Felippe Serigati afirmou que o agronegócio brasileiro enfrenta desafios estruturais que persistirão independentemente do resultado das eleições presidenciais de 2026. Em entrevista à Record News, ele destacou a dependência de fertilizantes importados, os efeitos das mudanças climáticas e o impacto dos juros altos sobre o crédito rural como questões centrais que não dependem de qual partido ou candidato vencerá o pleito.
Dependência de fertilizantes importados
Serigati explicou que a produção nacional permanece vulnerável devido à necessidade de insumos vindos principalmente da Rússia e da China. Essa concentração de fornecedores representa um risco constante para os custos e a estabilidade do setor, independentemente do cenário político após outubro de 2026.
O agronegócio tem desafios que são os mesmos, seja qual for o próximo presidente. A gente tem uma dependência muito grande de fertilizantes de outros países, principalmente da Rússia e da China. Isso é um risco que a gente corre
Felippe Serigati
Efeitos das mudanças climáticas
O pesquisador ressaltou que as alterações no clima já causaram perdas significativas de produtividade nos últimos anos e exigem ações de adaptação e mitigação por parte dos produtores. Essas transformações ambientais afetam diretamente a previsibilidade das safras e demandam investimentos em tecnologia e manejo sustentável.
As mudanças climáticas são um fato. A gente precisa se adaptar e mitigar esses efeitos. O Brasil perdeu muito em produtividade nos últimos anos por causa do clima
Felippe Serigati
Impacto dos juros altos no crédito
Além dos fatores externos e ambientais, Serigati apontou que as taxas de juros elevadas continuam restringindo o acesso ao financiamento necessário para investimentos em máquinas, insumos e expansão de áreas. Essas condições de crédito permanecem como obstáculo estrutural para o crescimento sustentável do setor nos próximos anos.