O mercado do boi gordo começou junho de 2026 com viés positivo nas principais regiões produtoras do Brasil, especialmente no interior de São Paulo. A combinação de oferta mais ajustada de animais terminados, exportações recordes e expectativa de maior consumo doméstico na primeira quinzena do mês sustentou os preços, ainda que analistas monitorem a proximidade do limite da cota chinesa de importação.
Oferta controlada e exportações recordes sustentam preços
Frigoríficos e pecuaristas observaram menor disponibilidade de gado pronto para abate no início do mês, o que favoreceu a firmeza das cotações. Dados da Scot Consultoria, Safras & Mercado e Agrifatto mostram que os embarques de maio alcançaram 261,9 mil toneladas, com a China absorvendo 153,8 mil toneladas. Esse ritmo elevado de vendas externas contribuiu para reduzir a pressão de oferta no mercado interno.
A demanda mais consistente entre a virada do mês e o começo de junho, com um pecuarista mais relutante na venda, colaborou para preços firmes do boi gordo registrados na última semana
Felipe Fabbri
Perspectivas de consumo interno e atenção à cota chinesa
Analistas destacam que o recebimento de salários e os jogos da Copa do Mundo devem elevar a procura por carne bovina no atacado nas próximas semanas. Ao mesmo tempo, o preenchimento da cota de 1,1 milhão de toneladas concedida pela China pode gerar mudanças nas estratégias de exportação.
Nos próximos dias, tende a sair o alerta por parte do governo chinês de que 80% da cota brasileira foi preenchida, o que pode levar outras indústrias a adotarem a mesma postura
Fernando Henrique Iglesias
Especialistas da Agrifatto e da Safras & Mercado alertam que, após o limite da cota, tarifas adicionais podem ser aplicadas, influenciando o ritmo de embarques. Enquanto isso, a reposição satisfatória no mercado interno mantém o setor atento às variações de demanda.