A trajetória de Valdomiro Poliselli Júnior exemplifica a evolução da pecuária brasileira, passando da seleção genética no campo à verticalização completa da cadeia produtiva, posicionando o país como competidor global em carnes de alta qualidade. Nascido em ambiente rural no interior paulista, filho e neto de produtores, Valdomiro cresceu imerso no mundo do gado, o que moldou sua visão sobre qualidade animal e melhoramento genético. Sua formação em colégio agrícola e graduação em Administração combinou conhecimento prático com gestão profissional, preparando-o para inovar no setor.
Um marco em sua carreira ocorreu em 1995, ao expandir operações para Nova Crixás, em Goiás, onde iniciou um projeto de pecuária intensiva focado no cruzamento de raças. Apostando na combinação entre a rusticidade do zebu e a qualidade da carne Angus, ele introduziu o Angus de pelagem vermelha no Brasil e estruturou um dos primeiros trabalhos completos de cruzamento industrial, abrangendo cria, recria, engorda e confinamento com controle rigoroso de desempenho. Essa abordagem pioneira ajudou a elevar o padrão da pecuária nacional.
A entrada na indústria frigorífica veio como uma estratégia necessária, não planejada inicialmente. Em 2004, a VPJ Alimentos, fundada por Valdomiro, começou a abater seus próprios animais, percebendo a importância de controlar desossa, porcionamento e embalagem para capturar valor agregado. A aquisição de uma planta em Pirassununga, São Paulo, marcou a virada, transformando a empresa de fornecedora de matéria-prima em uma marca reconhecida no mercado premium, rompendo o estigma de que a carne brasileira era inferior às importadas da Argentina e Uruguai.
A VPJ quebrou paradigmas ao padronizar abates e garantir qualidade, conquistando espaços como o Empório Santa Luzia em São Paulo, o que abriu portas para distribuição em todo o país. Hoje, a empresa está presente nos 27 estados brasileiros, com mais de mil produtos em cerca de 150 pontos de venda especializados. Além da bovinocultura, a estratégia se estendeu a cordeiro Dorper desde 2005 e suínos Duroc a partir de 2015, aplicando os mesmos princípios de genética selecionada e padrões exigentes.
O modelo da VPJ baseia-se em três pilares: genética com uso de DNA e avaliação genômica para marmoreio e ganho de peso; manejo com pastagens sombreadas e bem-estar animal; e confinamento de precisão com dietas balanceadas. Essa estrutura garante padronização para o mercado premium. Com prêmios acumulados e valorização em leilões, a empresa planeja, em até cinco anos, trabalhar exclusivamente com animais de sua própria genética, fechando o ciclo produtivo.
O crescimento do mercado de carnes premium reflete mudanças no perfil do consumidor brasileiro, mais atento à origem e qualidade, com o segmento representando entre 2% e 4% do consumo total de carne bovina. Essa expansão, impulsionada por profissionalização e sistemas integrados, sinaliza uma tendência estrutural, com perspectivas positivas para 2026 apesar de desafios na oferta.