Pecuária

Fraude milionária no agronegócio expõe vulnerabilidades em gigante mato-grossense

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O agronegócio mato-grossense, conhecido por suas operações de alta tecnologia e logística avançada, enfrenta um escândalo de grandes proporções com a descoberta de um esquema de fraude no Grupo Bom Futuro, uma das maiores empresas do setor no Brasil. Dois indivíduos, o funcionário Welliton Gomes Dantas e o empresário Vinícius de Moraes Sousa, foram presos por suspeita de desviar entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões ao longo de mais de dois anos. A Justiça converteu as prisões em preventivas, destacando a necessidade de preservar as investigações e evitar interferências.

O golpe operava por meio da simulação de fretes e serviços de transporte de gado inexistentes. Vinícius, proprietário de uma transportadora, emitia Conhecimentos de Transporte Eletrônico (CT-es) fraudulentos, que eram aprovados internamente por Welliton, responsável pela liberação de pagamentos no setor de transportes da empresa. Esses documentos falsos justificavam pagamentos por viagens que, na realidade, eram realizadas por veículos próprios do grupo ou simplesmente não ocorriam. A ausência de exigência de CT-e para transportes internos no estado facilitou o início da fraude.

Em depoimento à Polícia Civil, Welliton confessou sua participação e detalhou o uso dos recursos desviados. Ele admitiu ter investido os valores em bens como um apartamento na planta, um terreno em condomínio, dois carros de luxo – um Creta e um Volvo – e mais de R$ 500 mil em ações. Essas aquisições chamaram atenção por contrastarem com sua renda mensal de cerca de R$ 7 mil. A polícia apreendeu veículos, documentos e equipamentos eletrônicos relacionados ao esquema.

Welliton expressou arrependimento durante o depoimento, descrevendo o episódio como seu primeiro emprego registrado e manifestando gratidão pela oportunidade na empresa, apesar de reconhecer a gravidade de suas ações. Ele declarou que seu erro “não é perdoável” e que deve cumprir sua sentença, lamentando a mágoa causada aos gestores. A descoberta do esquema ocorreu após uma auditoria interna identificar inconsistências em notas e pagamentos, culminando na tentativa de emissão de uma nova nota de R$ 200 mil, o que levou à intervenção das autoridades.

O Grupo Bom Futuro, com mais de 8 mil colaboradores e operações em agricultura, pecuária, energia renovável e logística, emitiu nota oficial reforçando seu compromisso com integridade e transparência, e tem colaborado com a investigação. A Polícia Civil continua apurando se há outros envolvidos e o montante exato dos prejuízos. O caso serve como alerta para o setor, enfatizando a importância de auditorias regulares, sistemas de compliance e checagens rigorosas para prevenir fraudes internas em empresas de grande porte.

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Foto: Divulgação / https://seculoverdepaisagismo.com.br
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