O Governo Federal determinou a redução do percentual máximo de gordura permitido na Linguiça Blumenau, que passou de 42% para 30%. A medida altera a receita tradicional do embutido reconhecido como patrimônio cultural de Santa Catarina e afeta diretamente os produtores do Vale do Itajaí e do Alto Vale. A mudança atende a orientações do Ministério da Agricultura e Pecuária sobre parâmetros de composição do produto.
A Portaria nº 14/2026 da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária foi editada para cumprir as exigências federais. Produtores locais e a Associação das Indústrias Produtoras de Linguiça Blumenau (Alblu) agora enfrentam a necessidade de adaptar suas formulações ou contestar a decisão. O diretor financeiro da entidade, João Rodrigues de Souza Júnior, manifestou confiança na reversão da norma.
Posicionamento da associação e dos parlamentares
João Rodrigues de Souza Júnior destacou que os fabricantes seguem rigorosamente o caderno de especificações técnicas da Indicação Geográfica e da Norma Interna Regulamentadora oficial.
Temos a plena certeza de que seremos atendidos e teremos restabelecidos os parâmetros tradicionais da nossa linguiça Blumenau, que atende rigorosamente o caderno de especificações técnicas da Indicação Geográfica e da Norma Interna Regulamentadora oficial
João Rodrigues de Souza Júnior
O deputado estadual Napoleão Bernardes apresentou Proposta de Sustação de Ato na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Ele argumenta que a decisão burocrática desconsidera a história e a identidade cultural do produto.
Desafios regulatórios e culturais
Napoleão Bernardes enfatizou que a Linguiça Blumenau representa a história, a cultura, a imigração e a identidade do povo catarinense. Ele alertou para o impasse jurídico que pode surgir caso os produtores mantenham a receita original ou sigam a nova orientação.
A Linguiça Blumenau não é apenas um alimento. Ela representa a história, a cultura, a imigração e a identidade do nosso povo. Não faz sentido uma decisão burocrática tomada em Brasília desfigurar uma receita tradicional construída há gerações e reconhecida oficialmente
Napoleão Bernardes
Os produtores podem ficar no meio de um impasse absurdo: se seguem essa orientação, descaracterizam um produto protegido por Indicação Geográfica; se mantêm a receita original, ficam sujeitos a questionamentos sanitários e regulatórios. É uma insegurança jurídica completamente inaceitável
Napoleão Bernardes
A controvérsia continua em análise e pode gerar novas discussões entre o governo estadual, os produtores e as autoridades federais nos próximos meses.