A Justiça do Paraná concedeu à BMG Foods, controlada pelo grupo paraguaio Concepción, uma tutela de urgência cautelar que suspende por 60 dias as execuções de credores. A decisão, proferida pela 1ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba, busca preservar a capacidade de negociação da empresa com 94 credores enquanto se prepara para eventual recuperação judicial. A medida atende a um quadro de forte deterioração financeira revelado pela própria companhia.
Detalhes da tutela concedida
A magistrada reconheceu a gravidade da situação após a BMG Foods apresentar evidências de mais de 1.500 títulos protestados, que somam valores superiores a R$ 46 milhões, além de bloqueios judiciais que ultrapassam R$ 7,5 milhões. A suspensão das execuções por 60 dias impede novas constrições e declara essenciais os plantéis de suínos, matrizes, estoques, insumos e ração, protegendo a continuidade das operações frigoríficas em território brasileiro. Fornecedores e pecuaristas figuram entre os credores afetados pela decisão.
Causas da crise e próximos passos
A empresa atribui a crise à combinação de inadimplência de clientes, ciclo financeiro prolongado, alta do boi gordo, excesso de oferta de suínos, impactos cambiais, restrições comerciais internacionais e expansão operacional acelerada que pressionou o caixa. A mediação em curso com os 94 credores funciona como etapa antecedente à recuperação judicial, permitindo reestruturação do passivo sem interrupção imediata das atividades.
A decisão judicial reforça a necessidade de equilíbrio entre os direitos dos credores e a preservação da atividade produtiva. Especialistas do setor observam que o prazo de 60 dias será decisivo para que a BMG Foods avance nas negociações e apresente um plano viável de pagamento. Enquanto isso, as operações seguem sob monitoramento da vara especializada em Curitiba.