Economia

Lições do agronegócio: inadimplência ensina a priorizar geração de caixa sobre patrimônio

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O aumento da inadimplência e das recuperações judiciais no agronegócio tem destacado a necessidade de uma mudança na análise de crédito, priorizando a geração de caixa em vez do patrimônio do produtor. Essa é a avaliação de Pedro Freitas, sócio em Investment Banking da XP, que enfatiza a produtividade como fator essencial. Segundo ele, muitos produtores possuem extensas propriedades, mas o que garante a continuidade do negócio é a capacidade de gerar liquidez.

Freitas aponta que, ao conceder crédito ou investir, é crucial selecionar parceiros que operem de forma eficiente, produzindo mais com menos recursos. “Tem que achar o parceiro certo, a turma que opera bem e barato, para saber onde se posicionar dentro dos ciclos de cada commodity”, afirmou em entrevista ao videocast Raiz do Negócio, uma parceria entre Infomoney e The AgriBiz.

Nos últimos dois anos, marcados por turbulências no setor, Freitas vê uma fase de aprendizado e depuração, especialmente no mercado de Fiagros. Ele ressalta a importância de um bom gestor para alocar recursos de forma otimizada e resolver problemas quando surgirem. “A importância no Fiagro é você ter um bom gestor para conseguir fazer a melhor alocação possível e, quando der problema, ele poder resolver da melhor forma possível”, explicou.

Essa depuração permitiu aos investidores avaliar o desempenho dos gestores durante o período difícil. Freitas, cuja empresa XP é líder no mercado de distribuição de fundos ligados ao agronegócio, acredita que a safrinha representou um ponto de virada, com margens esperadas para melhorar. Ele destaca que o momento foi propício para refinar o setor e preparar para o próximo ciclo.

Na segunda onda de Fiagros que se desenha, as novas ofertas públicas devem ser lideradas por gestores que demonstraram boa performance e transparência nos anos recentes. Freitas prevê ajustes nas estruturas dos fundos, como a inclusão de classes sênior e subordinada, visando reduzir riscos para o investidor de varejo e aumentar o alinhamento com os gestores. Essa evolução é esperada para os próximos 12 meses.

Além disso, Freitas aborda o desafio de educar analistas, assessores e investidores sobre as complexidades do agronegócio, que engloba diversos setores. Ele defende uma maior interação entre o campo e os centros financeiros, como a Faria Lima. “A turma do agro tem que sair da usina, da fazenda e tem que vir aqui na Faria Lima. E a turma daqui tem que ir para o campo para conhecer. Não tem outro jeito, tem que sujar a botina”, concluiu.

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