O mercado do boi gordo em São Paulo vive uma semana de tensão entre pecuaristas e frigoríficos, marcada por acusações de pressão artificial sobre os preços e pela expectativa de aumento nas exportações para a China. De acordo com o CEO da AgroBrazil, Caio Junqueira, os frigoríficos oferecem valores mais baixos no estado apesar da oferta real, enquanto o mercado futuro reage com alta superior a 2% nos contratos. As negociações bilaterais durante a SIAL Xangai buscam flexibilizar salvaguardas chinesas e ampliar o espaço para a carne bovina brasileira.
Tensão entre pecuaristas e frigoríficos em São Paulo
Os frigoríficos tentam induzir vendas com referências menores em São Paulo, mas essa estratégia não reflete a realidade da oferta. Pecuaristas resistem às propostas consideradas artificiais, o que gera atrito direto com o setor de abate. O mercado futuro já sinaliza recuperação, com contratos em alta de mais de 2% nesta semana.
Estão tentando colocar na cabeça do pecuarista que São Paulo vale menos que outros estados produtores. Isso não bate com a realidade
Caio Junqueira
Expectativas de aumento nas exportações para a China
As conversas na SIAL Xangai, que termina amanhã, podem resultar em anúncio sobre a flexibilização de medidas de salvaguarda pela China. Isso abriria caminho para redirecionar cotas de importação e ampliar o volume de carne bovina brasileira enviada ao país asiático. Autoridades chinesas e exportadores brasileiros discutem alternativas que beneficiem ambos os lados.
Uma hora ou outra falta essa carne aqui no atacado. Esse boi provavelmente volta a subir
Caio Junqueira
O setor exportador brasileiro monitora de perto o possível anúncio, que pode alterar o equilíbrio atual do mercado interno. Com a demanda chinesa em foco, a tensão em São Paulo tende a se resolver à medida que as vendas externas ganhem ritmo.