Produtores de soja nas principais regiões do Brasil intensificam os preparativos para a safra 2026/27, momento em que a Companhia Nacional de Abastecimento projeta uma produção de 181,64 milhões de toneladas. O plantio deve ocorrer após o fim do vazio sanitário, com as chuvas ganhando força em outubro de 2026, porém a possibilidade de intensificação do El Niño exige atenção redobrada ao manejo. Especialistas alertam para riscos de irregularidade pluviométrica e períodos de estiagem que podem afetar a germinação e o desenvolvimento inicial da cultura.
Atenção às condições climáticas e de solo
Bruno Carloto, gerente de marketing estratégico da Acadian Sea Beyond na BU Atlantic, destaca que o momento requer vigilância constante. A umidade do solo e as previsões meteorológicas devem ser monitoradas de perto, pois o El Niño pode gerar oscilações que comprometam a emergência das plantas. Após a semeadura, a ocorrência de estiagens tende a elevar o estresse hídrico e limitar o crescimento inicial da soja.
Esse momento exige atenção redobrada às condições de umidade do solo e às previsões climáticas, especialmente diante da possibilidade de intensificação do El Niño
Bruno Carloto
Quando as temperaturas elevadas se somam à menor disponibilidade de água, a soja precisa direcionar mais recursos para manter seu funcionamento fisiológico. Esse cenário pode afetar processos importantes, como fotossíntese, crescimento e aproveitamento de água e nutrientes.
Estratégia integrada com biofertilizantes
A Embrapa e especialistas recomendam o manejo integrado que combina nutrição equilibrada, janela de plantio adequada e aplicação de biofertilizantes à base de Ascophyllum nodosum. Esses produtos atuam de forma complementar, ajudando a mitigar os efeitos do estresse hídrico sem substituir as práticas convencionais de cultivo. A preparação da safra 2026/27 deve começar antes da semeadura para que o sistema produtivo esteja mais estruturado diante das variações de chuva e temperatura.
É importante destacar que os biofertilizantes não substituem o manejo adequado da lavoura, mas atuam de forma complementar em uma estratégia integrada. Para a safra 2026/27, a preparação deve começar já, antes da semeadura. Quanto mais estruturado estiver o sistema produtivo para enfrentar oscilações do fluxo de chuvas e temperatura melhores são as condições para preservar o desenvolvimento da soja e seu potencial produtivo
Bruno Carloto