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Professor da FGV defende regulamentação urgente de dados no agronegócio brasileiro

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Encontro da OIC na Suíça discutiu o mercado de dados no setor global de café Reprodução/Record News
Encontro da OIC na Suíça discutiu o mercado de dados no setor global de café Reprodução/Record News

Daniel Vargas, professor da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas, defende a regulamentação das informações geradas no campo para evitar relações desiguais entre agricultores e grandes organizações do agronegócio no Brasil. Em entrevista à Record News, ele alerta que dados sobre solo, clima, produtividade e manejo estão sendo capturados por empresas de tecnologia sem qualquer controle dos produtores. A ausência de regras claras favorece o domínio de multinacionais e compromete a soberania nacional sobre informações estratégicas.

O controle de dados no agronegócio

Os dados coletados no campo permitem que empresas determinem preços, financiamentos e seguros de forma centralizada. Vargas explica que, sem normas específicas, os agricultores perdem autonomia sobre suas próprias informações. Essa dinâmica cria dependência e reduz a capacidade de negociação dos produtores diante de grandes players do setor.

A regulamentação proposta busca equilibrar o acesso e a propriedade desses registros. Agricultores precisam de mecanismos para decidir como e por quem seus dados são utilizados. A medida também visa proteger a competitividade do agronegócio brasileiro em escala global.

Riscos para a soberania nacional

A falta de controle sobre informações estratégicas pode afetar decisões políticas e econômicas do país. Multinacionais que dominam os dados passam a influenciar desde a produção até a comercialização de commodities. Vargas destaca que a ausência de regras claras amplia desigualdades e enfraquece a posição dos produtores locais.

Quem controla o dado controla o preço. Quem controla o dado controla o financiamento. Quem controla o dado controla o seguro. Quem controla o dado controla a produção.

Daniel Vargas

A discussão ganha relevância à medida que o uso de tecnologias digitais se expande no campo. Especialistas recomendam a criação de marcos legais que garantam transparência e participação dos agricultores no processo. O debate envolve tanto a proteção individual quanto a preservação de interesses coletivos do setor.

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