A caprinocultura leiteira no Nordeste brasileiro, especialmente na Bahia, consolidou a produção de queijos artesanais como um segmento dinâmico do agronegócio regional. Impulsionada por prêmios, formação de cooperativas e investimentos em inovação, a atividade superou a fase de subsistência e passou a gerar valor agregado para produtores do semiárido. Dados recentes do IBGE e relatos de instituições como Senar e Sebrae confirmam o crescimento do rebanho caprino em municípios como Casa Nova, Juazeiro e Curaçá, onde o manejo sustentável e a maturação com ingredientes da Caatinga conferem identidade própria aos produtos.
Transição para a agregação de valor
Desde 2020, quando Jaine Santana fundou a JM Queijos Artesanais, a região assistiu a uma mudança estrutural. Produtores rurais de Guanambi, Jaguarari e Curaçá adotaram biotecnologia e técnicas de maturação diferenciadas, elevando a qualidade dos queijos. A demanda por produtos com terroir e certificação sanitária incentivou a busca por selos que garantem regularidade de suprimento e liquidez no mercado.
Cooperativas e parcerias institucionais
A cooperativa Capribéee, liderada por Eugênia Ribeiro e formada por 48 cooperados, exemplifica o modelo de escala. A organização permite distribuição mais ampla e acesso a programas de capacitação do Sebrae e do Senar. Dez municípios baianos com maior rebanho caprino concentram os avanços, com foco em sustentabilidade e inclusão social no semiárido.
Prêmios e projeção do mercado
Em 2023, queijos da região conquistaram reconhecimento no Enel e no Concurso do Queijo Artesanal da Bahia. Essas premiações ampliam a visibilidade e abrem canais de comercialização para além do Nordeste. O setor continua a atrair investimentos que reforçam a posição da Bahia como referência em caprinocultura leiteira artesanal.