Em 1990, Shiro Nishimura vendeu mais de 13 mil cabeças de gado e 70 mil hectares de terras para evitar a falência da Jacto, empresa sediada em Pompeia, interior de São Paulo. O confisco das poupanças decretado pelo governo de Fernando Collor de Mello, há 36 anos, deixou a companhia sem capital de giro e forçou uma redução drástica no quadro de funcionários, de 1.300 para 700 empregados. A família Nishimura apostou em exportações para países vizinhos e na venda rápida de ativos rurais a fim de honrar compromissos imediatos.
O confisco que paralisou o caixa da empresa
O Plano Collor congelou contas bancárias para combater a hiperinflação e travou o mercado interno. Sem acesso aos recursos guardados, a Jacto enfrentou dificuldades para pagar salários e fornecedores. Shiro Nishimura relata que chegou à fazenda e recebeu a notícia de que restavam apenas 50 dólares na conta, valor insuficiente para cobrir dois meses de despesas com empregados, vacinas e manutenção.
Vendas urgentes para manter a operação
Para gerar caixa, o empresário negociou gado, incluindo bois magros e vacas, muitas vezes em troca de outros animais ou pagamentos em espécie. Ele também alienou grande parte do patrimônio rural. Uma negociação marcante ocorreu no frigorífico, onde reservou os primeiros 230 bois abatidos para saldar dívidas pendentes. A tensão entre os irmãos aumentou durante esse período de decisões difíceis.
Eu queria ser pecuarista. Estava montando minha vida para isso. Mas Deus faz as coisas diferentes.
Shiro Nishimura
Apostar nas exportações permitiu à empresa retomar o fôlego após a crise. Trinta e seis anos depois, a Jacto mantém cerca de 1.300 funcionários e preserva a memória desse episódio como exemplo de adaptação em momentos extremos.