Uma pesquisa conduzida por instituições científicas brasileiras identificou 40 espécies de abelhas em plantações de soja no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 constituem novos registros para o Brasil. Cerca de 89% dos indivíduos coletados são nativos, e a presença desses polinizadores relaciona-se a um aumento médio de 7% no peso dos grãos da cultura.
Levantamento de polinizadores nativos
As coletas ocorreram nas regiões de Rio Verde e Montividiu, em lavouras de soja e em áreas de vegetação nativa adjacentes. No total, foram capturadas 764 abelhas, número que subiu para 53 espécies quando incluídas as matas próximas. O trabalho foi realizado pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia em parceria com a Universidade de Brasília, a Universidade Federal da Bahia e o Instituto Federal Goiano – Campus Rio Verde.
O objetivo principal foi documentar a biodiversidade de polinizadores nativos em áreas agrícolas de soja. Os pesquisadores também avaliaram a relação desses insetos com a vegetação do Cerrado e verificaram o potencial de polinização suplementar para a produtividade da cultura.
Métodos aplicados no campo
As capturas foram feitas principalmente com pan traps, que responderam por 95% dos exemplares. Redes entomológicas complementaram o esforço em pontos específicos das lavouras e nas bordas de mata. Essa combinação permitiu registrar tanto as abelhas que visitam diretamente as flores de soja quanto aquelas associadas à vegetação nativa remanescente.
Relação com a produtividade da soja
Os dados indicam que a ação dos polinizadores nativos contribui para o desenvolvimento dos grãos. O aumento médio de 7% no peso observado reforça a importância de manter áreas de vegetação do Cerrado próximas às plantações. A preservação desses habitats pode favorecer a presença contínua de abelhas e, consequentemente, apoiar ganhos de produtividade de forma sustentável.