Pecuária

Morte misteriosa de rebanhos assombra agropecuária no Piauí e mobiliza autoridades

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A agropecuária do Piauí enfrenta um momento de grande apreensão com a morte repentina de bovinos, caprinos e ovinos em municípios do interior, o que tem gerado preocupações econômicas e sociais entre pequenos produtores. Secretarias municipais e instituições de ensino estão investigando os casos, em parceria com órgãos estaduais e federais, para identificar as causas e evitar perdas maiores. O problema afeta principalmente a agricultura familiar, que depende desses animais como fonte de renda e subsistência, destacando a necessidade de ações coordenadas pelo poder público.

Em Simões, a cerca de 450 km de Teresina, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural estima que mais de 100 animais morreram nos últimos 30 dias sem diagnóstico oficial. Rosenalvo Coelho, secretário da pasta, relatou que os animais apresentam sinais de fraqueza, inchaço e mal-estar, evoluindo para a morte em poucos dias. Ele próprio perdeu animais e enfatizou a angústia dos criadores, que não sabem a origem do problema.

O surto também foi registrado em Curral Novo do Piauí, onde um produtor perdeu 35 ovinos de uma vez, e outro registrou cinco mortes com quatro animais doentes. A secretária de Agricultura local, Angelucia Macedo, alertou para as consequências financeiras devastadoras e pediu apoio urgente das autoridades. Equipes da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Piauí (Adapi) visitaram as propriedades afetadas e confirmaram o acompanhamento dos casos em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Instituições acadêmicas se mobilizaram para apurar os fatos. O professor Williams Costa, veterinário e diretor do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Piauí (UFPI), informou que a UFPI e a Universidade Estadual do Ceará (Uece) estão investigando. Costa, que perdeu 38 ovelhas em sua propriedade em Matões (MA) com sintomas semelhantes, sugeriu que os sinais lembram a “manqueira bovina”, uma doença infecciosa causada por bactéria, embora a hipótese não tenha sido confirmada.

Especialistas apontam possíveis causas como doenças infecciosas, intoxicação alimentar ou mudanças climáticas, como secas que enfraquecem o sistema imunológico dos rebanhos. Reuniões entre criadores, autoridades e técnicos discutem medidas como educação em manejo seguro, vacinação regular, monitoramento constante e maior acesso a veterinários. A expectativa é que a parceria entre governos, universidades e órgãos de defesa agropecuária resulte em diagnósticos rápidos e ações concretas para conter o problema e mitigar os impactos na economia local.

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