Agricultura

Do Brasil ao Japão: o que faz um melão valer uma fortuna?

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O preço de um melão varia significativamente dependendo da variedade, sazonalidade e local de produção. No Brasil, na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), considerada a maior empresa pública de alimentos da América do Sul, o quilo do melão amarelo foi comercializado a R$ 4,12 na última quarta-feira (20/8). Em contraste, no Japão, dois melões da variedade Yubari King foram leiloados por 1 milhão de ienes, equivalente a R$ 36 mil na cotação atual, em maio deste ano.

Essa diferença representa um valor 8,5 mil vezes superior ao do produto brasileiro, posicionando o melão japonês entre as frutas mais caras do mundo. No Japão, o Yubari King, produzido pela Associação de Melões Yubari na ilha de Hokkaido, transcende o mero alimento, incorporando elementos de qualidade elevada, cultivo limitado, tradição e simbolismo de luxo.

O solo vulcânico com cinzas e boa drenagem, aliado ao relevo montanhoso que provoca variações térmicas, cria condições ideais para o cultivo dessa fruta híbrida, desenvolvida a partir do cruzamento das variedades Earl’s Favorite e Burpee’s Spicy Cantaloupe. Essas características resultam em uma casca luxuosa com textura de rede, uma das marcas distintivas do Yubari King.

Além dos fatores geográficos, o Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca do Japão destaca que a qualidade depende do conhecimento acumulado pelos produtores. Técnicas avançadas de cultivo, incluindo o controle preciso de temperatura e umidade do solo, são essenciais para formar a rede na casca e aumentar o tamanho da fruta.

Para garantir padronização e preços elevados, a associação, composta por mais de 140 agricultores, adotou mudanças como a transferência do cultivo de campos abertos para estufas e a hibridização de abelhas, otimizando a polinização e a uniformidade das frutas.

A Associação de Melões Yubari realiza leilões anuais para marcar o início da colheita, como o ocorrido em 26 de maio de 2025 no Mercado Atacadista Central de Sapporo, a maior cidade de Hokkaido. O recorde recente foi em 2019, quando dois melões foram arrematados por 5 milhões de ienes, ou R$ 180 mil na cotação atual, destacando o status premium da fruta.

Essa disparidade de preços reflete não apenas diferenças econômicas e culturais entre Brasil e Japão, mas também estratégias de produção que elevam o valor percebido de produtos agrícolas em mercados globais.

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