Economia

A volatilidade cambial em 2025: lições políticas e econômicas para o Brasil

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A relação entre o real e o dólar tem sido central nas discussões de mercado, especialmente em 2025, com o cenário global incerto e o foco intenso nos Estados Unidos. O ano tem registrado uma valorização consistente do real, mas com flutuações de 20 ou 30 centavos em poucos dias, gerando uma sensação de instabilidade. Essa volatilidade ganha relevância política, à medida que se entrelaça com questões fiscais internas e o ciclo eleitoral brasileiro, além de movimentos geopolíticos globais que influenciam fluxos de capital.

Para empresas agroindustriais, a preocupação com variações de curto prazo deve ser equilibrada por uma visão estratégica de longo prazo. CEOs e CFOs precisam analisar como o câmbio interage com mercados de commodities, juros e energia, avaliando impactos nas margens operacionais. Essa abordagem integrada ajuda a distinguir entre mudanças estruturais e ajustes temporários, evitando reações impulsivas ao ruído diário, especialmente em um contexto de incertezas políticas como as eleições nos EUA e desafios fiscais no Brasil.

Os movimentos cambiais afetam ativos, passivos e fluxos operacionais de forma simultânea. Um dólar mais baixo pode reduzir receitas de exportação, mas aliviar dívidas em moeda estrangeira, enquanto o oposto ocorre com um dólar mais alto. O foco deve ser no efeito líquido sobre o balanço patrimonial, garantindo liquidez para períodos de estresse sem recorrer a decisões precipitadas ou crédito oneroso, o que é crucial em cenários de volatilidade agravada por tensões geopolíticas.

A gestão cambial deve ser baseada em fundamentos, não em apostas especulativas, alinhando-se à estratégia corporativa e à política de riscos. Evitar ações isoladas que busquem ganhos momentâneos pode preservar o caixa e a competitividade, especialmente quando fatores macroeconômicos como câmbio e juros são influenciados por decisões políticas globais e domésticas.

A eficiência operacional surge como diferencial competitivo, permitindo preservar margens mesmo em ambientes desfavoráveis. Combinada a decisões de risco calibradas, ela constrói resiliência para ciclos econômicos, ajudando empresas a explorar oportunidades em meio a volatilidades.

Uma governança sólida em gestão de riscos é essencial, integrando políticas cambiais ao dia a dia da operação. Isso inclui clareza sobre objetivos, limites de exposição e critérios de hedge, reduzindo custos e melhorando a previsibilidade, o que fortalece a credibilidade perante stakeholders em um ano marcado por desafios fiscais e eleitorais.

De acordo com Rafael Harada, colunista de The AgriBiz, sócio da Rural e cofundador da Virtus Advisors, com mais de 20 anos de experiência em gestão de riscos na JBS, o dólar está testando níveis de suporte importantes, com saídas sazonais de capital e memórias recentes de recordes. Movimentos geopolíticos e econômicos globais, aliados a questões internas como o quadro fiscal delicado e o ciclo eleitoral, indicam que a volatilidade persistirá, demandando disciplina estratégica na gestão cambial.

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