Boi

Mercado do boi gordo resiste a pressões, mas analistas alertam para volatilidade

140

O mercado do boi gordo no Brasil mantém estabilidade na maior parte do país, com preços acima da referência em praças importantes, apesar do alongamento das escalas de abate e do aumento na oferta de animais. Essa resistência é impulsionada pela demanda externa, com exportações em ritmo acelerado em 2025, o que ajuda a sustentar os valores da arroba. No entanto, o cenário levanta dúvidas sobre a capacidade de manutenção desses patamares nos próximos meses, conforme analistas observam um equilíbrio delicado entre oferta e consumo.

Em regiões chave, como Mato Grosso do Sul, a arroba alcançou R$ 321,00, destacando a força do mercado local. Outras praças, como São Paulo, registram R$ 310,83, enquanto Mato Grosso fica em R$ 303,45, Goiás em R$ 301,96 e Minas Gerais em R$ 297,06. Essas variações regionais refletem diferenças na disponibilidade de gado e na proximidade de polos exportadores, influenciando o dinamismo desigual do setor pecuário.

Consultorias especializadas, como Safras & Mercado, indicam que indústrias frigoríficas operam com escalas completas para setembro, apoiadas por animais de confinamentos próprios e contratos a termo. Isso proporciona tranquilidade ao setor industrial, reduzindo a urgência por compras no mercado físico e limitando o poder de barganha dos pecuaristas. Já a Agrifatto reforça que a média nacional das escalas atinge dez dias, resultado de negociações intensas no início da semana, embora o mercado físico tenha aberto setembro com tendência negativa em várias regiões, incluindo São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás.

As exportações continuam como pilar de sustentação, com o Brasil registrando uma média de 15 toneladas por dia no início de setembro, um desempenho recorde para o período. Essa presença forte no comércio internacional mitiga os efeitos do aumento de oferta interna e ajuda a manter os preços firmes, mesmo com o alongamento das escalas.

No mercado futuro da B3, o contrato de outubro de 2025 foi negociado a R$ 313,65 por arroba, com queda de 1,8% em relação ao pregão anterior. Esse movimento sinaliza cautela, refletindo expectativas de pressão contínua devido ao maior volume de gado confinado e ao avanço no abate de fêmeas, que atingiu recorde no segundo trimestre. O dilema persiste: a arroba resiste graças às exportações aquecidas e à recuperação do consumo interno, mas o horizonte aponta para maior volatilidade, dependendo da absorção da oferta pela indústria sem quedas acentuadas para os produtores.

Conteúdos relacionados

Foto: Divulgação
BoiMundoPecuária

Abate de bovinos nos EUA cai 77 mil cabeças e aperta frigoríficos em 2026

O processamento de bovinos nos Estados Unidos recuou na semana de 21...

Foto: Divulgação
BoiBrasilPecuária

Congresso dos EUA avança para suspender importação extra de carne brasileira

Parlamentares republicanos e democratas apresentaram o BEEF Act no Congresso dos Estados...

Bloqueio na BR-317 em Boca do Acre por pecuaristas devido a atrasos da FrigoRaça
BoiEconomiaPecuária

Pecuaristas bloqueiam BR-317 em Boca do Acre por atrasos de R$ 30 milhões da FrigoRaça

Pecuaristas de Boca do Acre bloquearam a BR-317 na terça-feira, 22 de...

Foto: Divulgação
BoiEconomiaPecuária

Brasil avalia usar cota uruguaia para aumentar exportação de carne à China

Após o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e...