Agricultura

O papel das mulheres na estabilidade política e econômica do agronegócio familiar

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A transição geracional nas empresas familiares do agronegócio brasileiro frequentemente envolve tensões, com uma rede complexa de laços emocionais, expectativas não declaradas e divergências acumuladas. Nesse contexto, onde razão e afeto se entrelaçam, o papel ativo das mulheres tem se mostrado cada vez mais estratégico, especialmente diante dos desafios atuais do setor.

O agronegócio, após uma fase de expansão, enfrenta agora um ciclo de correção marcado por margens pressionadas, juros elevados, oscilações em mercados externos e eventos climáticos adversos. Esses fatores testam a resiliência das operações familiares, com um aumento expressivo nos pedidos de recuperação judicial por produtores rurais, revelando fragilidades tanto na estrutura societária quanto na dinâmica familiar.

Nesse cenário, as mulheres assumem protagonismo na construção de estruturas institucionais mais sólidas, atuando como herdeiras, conselheiras ou matriarcas. Elas contribuem para transformar a governança em um instrumento efetivo de continuidade, promovendo diálogos intergeracionais, articulando interesses divergentes e sustentando pactos que facilitam a convivência entre visões diferentes.

Mais do que impor regras, as mulheres viabilizam a adesão a elas, impactando diretamente na redução de conflitos e na longevidade dos acordos. Isso protege o valor econômico, preserva relações familiares e assegura a identidade do negócio, com mudanças ocorrendo por meio de deslocamentos silenciosos, como a ocupação de assentos em conselhos e a formalização de acordos antes de impasses.

Em diversas famílias, a transformação não surge de rupturas, mas de uma governança compreendida como um pacto interno, com legitimidade e escuta. Exemplos em diferentes regiões do país mostram empresas que atravessaram sucessões mantendo coesão familiar e integridade patrimonial, muitas vezes equilibradas por uma liderança feminina que valoriza memória e responsabilidade compartilhada.

Embora o agronegócio ainda seja conservador em estruturas de poder em muitos territórios, os resultados de empresas que incorporam a liderança feminina falam por si, com mais clareza nas decisões, menos rupturas e maior solidez nas transições.

Diego Billi Falcão e Amanda Salis Guazzelli, fundadores da Governança Agro, destacam que a sucessão é inevitável, e cabe às famílias decidir se a enfrentarão com improviso ou preparo. A presença ativa das mulheres, com legitimidade e visão, emerge como fator chave para o sucesso nos ciclos de continuidade das empresas familiares do setor.

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