Agricultura

Governo libera R$ 12 bilhões para renegociar dívidas de agricultores atingidos por extremos climáticos

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O governo federal autorizou a liberação de R$ 12 bilhões em recursos extraordinários, fora da meta fiscal do ano, destinados à renegociação de dívidas de agricultores prejudicados por eventos climáticos nos últimos anos. Essa medida visa atender produtores rurais cujas safras foram afetadas por condições adversas, como secas e inundações intensas.

De acordo com o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), duas justificativas principais embasam a decisão. A primeira refere-se às limitações das medidas anteriores adotadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que não alcançaram amplitude suficiente devido aos custos elevados tanto para os produtores quanto para o Tesouro Nacional.

A segunda justificativa destaca a intensidade dos extremos climáticos, que superaram os instrumentos tradicionais da política agrícola e a capacidade de planejamento governamental. O MPO enfatizou que os eventos ocorreram de forma súbita e com magnitude acima do previsto, tornando impossível antecipá-los no orçamento anual.

Na exposição de motivos da Medida Provisória (MP) 1.316/2025, publicada em 17 de setembro, o ministério argumentou que os efeitos climáticos criaram uma demanda excepcional por recursos. “Essa situação evidencia que o problema não poderia ter sido previsto na elaboração do orçamento do ano em curso, o que justifica a abertura do crédito extraordinário como medida emergencial”, consta no documento.

Embora o CMN tenha autorizado renegociações prévias, parte das operações de crédito rural permaneceu irregularizada por conta dos custos para instituições financeiras e o Tesouro. Com os novos recursos, será possível oferecer taxas de juros diferenciadas de 6%, 8% e 10% ao ano, dependendo do porte do produtor, além de prazos mais longos para pagamento, facilitando a recuperação financeira.

O governo ressaltou a relevância e urgência da iniciativa, pois sem ela, muitos agricultores ficariam impedidos de acessar novas linhas de crédito, o que poderia interromper o financiamento da produção agrícola. A medida também busca evitar elevações nos custos das lavouras e, consequentemente, nos preços dos alimentos para os consumidores.

Os R$ 12 bilhões provêm de superávit financeiro apurado no balanço patrimonial de 2024, sendo R$ 600 milhões de recursos próprios da União e R$ 11,4 bilhões de programas financiados por operações oficiais de crédito. Os valores serão transferidos pelo Tesouro Nacional ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que os repassará a instituições financeiras credenciadas para empréstimos aos produtores.

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