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Argentina diversifica exportações de carne bovina e busca equilíbrio geopolítico com a China

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A Argentina, um dos principais exportadores de carne bovina na América do Sul, registrou um aumento de 4,7% nas exportações em agosto de 2025, totalizando 86,6 mil toneladas certificadas em comparação ao mesmo período de 2024. Esse crescimento ocorre em um contexto de oscilações no comércio global, onde a China continua como o principal destino, respondendo por 58,1% dos embarques, com 50,3 mil toneladas importadas. No entanto, o país asiático demonstrou uma variação modesta de 5,5% em relação ao ano anterior, destacando a dependência argentina desse mercado estratégico.

Entre os destaques do mês, Gana surpreendeu com um aumento de 63,3% nas importações, passando de 1,9 mil para 3,1 mil toneladas, o que indica uma emergência de novos parceiros comerciais na África. Outros destinos relevantes incluem Israel, com 5,8 mil toneladas e uma queda de 10,9%, Rússia com 3,7 mil toneladas e alta de 7,8%, e Estados Unidos com 3,4 mil toneladas e crescimento de 3,7%. Esses dados, divulgados pela Scot Consultoria e FarmNews, sugerem um esforço de diversificação geográfica para mitigar riscos associados à concentração em poucos mercados.

No acumulado de janeiro a agosto de 2025, as exportações argentinas somaram 576,2 mil toneladas, representando uma queda de 6,8% em relação às 618,6 mil toneladas do mesmo período de 2024. A China, ainda dominante com 57,8% de participação, reduziu suas compras em 13,8%, caindo de 386,1 mil para 333 mil toneladas. Em contrapartida, Hong Kong registrou um aumento expressivo de 41,9%, alcançando 20,7 mil toneladas, enquanto Israel e Estados Unidos apresentaram altas de 8,9% e 3,2%, respectivamente.

Essa tendência de redução na dependência da China reflete ajustes estratégicos no comércio exterior argentino, influenciados por fatores como variações cambiais e questões sanitárias globais. A Rússia, por sua vez, diminuiu em 18% suas importações acumuladas, totalizando 21,6 mil toneladas, o que pode estar ligado a tensões geopolíticas internacionais afetando o fluxo comercial.

Com o avanço das exportações, a oferta interna de carne bovina na Argentina diminuiu, levando a um aumento nas importações de carne brasileira para suprir a demanda doméstica. Esse intercâmbio reforça a integração econômica na América do Sul, posicionando o Brasil como um fornecedor chave na região. A expectativa para o restante de 2025 é de uma recuperação gradual nas exportações argentinas, equilibrando parcerias tradicionais com emergentes, como Gana e Hong Kong, em um cenário competitivo marcado por desafios globais.

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