Economia

Tarifa americana põe em xeque o império do sal potiguar

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O Rio Grande do Norte consolida-se como o maior produtor de sal marinho no Brasil, respondendo por cerca de 95% da produção nacional. Esse protagonismo é impulsionado por condições climáticas favoráveis, como baixíssima pluviosidade, altas temperaturas médias acima de 27°C e fortes ventos alísios, que facilitam a evaporação da água e a cristalização do sal. As salinas ocupam áreas que eram manguezais ou terrenos de sedimentos fluviomarinhos, transformadas com canais, tanques e bombas para captação de água salgada. A tradição de extração remonta a povos indígenas, mas ganhou escala nos séculos XIX e XX, com mecanização intensificada nas décadas de 1970 e 1980.

Apesar dos avanços tecnológicos, o setor enfrenta desafios em estrutura organizacional, especialmente em aspectos ambientais, regulatórios e de inovação. A produção está concentrada em seis empresas principais, sendo 76% controlada por duas de grande porte e quatro de médio porte. Entre as destacadas estão a Salina Diamante Branco, que atua em sal bruto e refinado, a Salinor, considerada a maior produtora nacional, e a Norsal. Os modelos de negócios variam, incluindo produtores integrados, arrendamentos e empresas focadas apenas no refino ou na marca.

A logística é centrada no Terminal Salineiro de Areia Branca, conhecido como Porto-Ilha, uma estrutura offshore a 26 km do continente, conectada por instalações terrestres. Arrendado em 2021 pelo Consórcio Intersal por 25 anos, com investimentos previstos de R$ 164 milhões, o porto embarcou quase 2 milhões de toneladas de sal naquele ano. O setor gera mais de 15 mil empregos diretos e até 60 mil indiretos, abrangendo logística, transporte e serviços.

No mercado externo, os Estados Unidos representam 47% do faturamento das exportações de sal potiguar, com média anual de 530 mil toneladas entre 2018 e 2024. Contudo, a imposição de uma tarifa de 50% pelos EUA ameaça esse fluxo, podendo resultar na perda de mercados e na inviabilização do Porto-Ilha. O sindicato SIESAL estima que até 4 mil empregos diretos estejam em risco, agravado pela dificuldade de redirecionar volumes para Europa ou Ásia devido a limitações logísticas. Países como Chile, Egito, Namíbia e México enfrentam tarifas menores, colocando o Brasil em desvantagem.

Em resposta, o governo estadual incorporou a indústria salineira ao PROEDI em 2025, concedendo incentivos fiscais para equiparar o setor a outros industriais. Desafios adicionais incluem conformidade regulatória, como padrões de iodação e pureza fiscalizados pela ANVISA, disputas com órgãos como IBAMA e IDEMA, e a necessidade de inovação. O setor aposta em tecnologias como sensores, drones e energias renováveis para reduzir custos, além de diversificar usos do sal em indústrias químicas ou ambientais. Variabilidades climáticas, como chuvas acima da média, também representam riscos à produtividade.

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