Pecuária

A dominação brasileira no mundo da montaria em touros e suas polêmicas

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A montaria em touros representa uma das competições mais intensas dos rodeios, onde cowboys enfrentam animais de força impressionante, frequentemente dez vezes mais pesados que eles. No centro da arena, o peão deve demonstrar habilidade e resistência para se manter no lombo do touro por pelo menos oito segundos, segurando a corda americana amarrada ao animal. Esse esporte é dominado internacionalmente por atletas brasileiros, especialmente na Professional Bull Riders (PBR), a principal liga global de montaria.

As regras da disputa são precisas: o tempo inicia quando o touro sai do brete com a abertura da porteira, e o peão não pode tocar o animal ou qualquer objeto com o braço de equilíbrio. Se cair antes dos oito segundos, a montaria é invalidada. O julgamento envolve de dois a quatro juízes, com pontuação de zero a cem, dividida igualmente entre o desempenho do peão e do touro. Em 2023, o brasileiro José Vitor Leme alcançou o recorde de 98,75 pontos nas finais da PBR em Las Vegas, consolidando sua posição como campeão mundial em múltiplas edições.

Os campeonatos são estruturados em etapas ao longo de vários dias, com rodadas classificatórias e finais no último dia. O vencedor é determinado pela soma de pontos acumulados, refletindo habilidade, resistência e precisão. As montarias podem ser definidas por sorteio ou escolha dos competidores, mas um peão não pode montar o mesmo touro mais de uma vez no evento. Em casos de mau desempenho do animal ou falhas no equipamento, o competidor pode optar por uma nova tentativa.

O equipamento do peão prioriza proteção e tradição, incluindo calças de couro, camisa de manga longa, botas com esporas sem pontas, luva de couro, colete e capacete. Para competidores nascidos após outubro de 1994, o capacete é obrigatório na PBR, enquanto os mais velhos podem usar o chapéu de rodeio. Os touros, pesando entre 600 kg e uma tonelada, recebem uma cinta de lã chamada sedém na virilha, o que gera polêmicas entre defensores dos direitos animais, que alegam causar dor e agressividade forçada.

Um estudo da Faculdade de Veterinária da USP concluiu que o sedém não causa danos aos testículos dos touros, refutando essas críticas. A criação dos animais envolve melhoramento genético rigoroso nos Estados Unidos e iniciativas semelhantes no Brasil para otimizar o desempenho. As recompensas variam: na Festa do Peão de Barretos de 2019, o vencedor ganhou uma caminhonete de R$ 265 mil, enquanto o campeão da PBR em 2023 recebeu US$ 1 milhão, pagos em dez parcelas mensais, destacando o prestígio econômico do esporte.

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